Monchique. Fogo já provocou 24 feridos, um deles grave, e segue em duas frentes

Em Monchique, o fogo agravou-se e chegou às portas das casas, várias pessoas foram retiradas das habitações. A Proteção Civil admitiu a existência de casas ardidas na zona e regista 24 feridos.

  • Texto de João Francisco Gomes, Gonçalo Correia, Agência Lusa, Diogo Lopes, Tiago Pereira e João Porfírio
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O incêndio mais alarmante a lavrar no país continua a ser o da serra de Monchique, no distrito de Faro

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O incêndio mais alarmante a lavrar no país continua a ser o da serra de Monchique, no distrito de Faro

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A frente mais preocupante do incêndio em Monchique, que começou na sexta-feira, esteve às portas da vila. Habitantes dos limites geográficos foram instruídos para abandonarem as suas casas e dirigirem-se para o centro da localidade. Cerca de mil bombeiros estão a combater as chamas.

“A zona é de difícil acesso e é difícil trabalhar no terreno”, disse o comandante nacional da Proteção Civil, Duarte da Costa, em conferência de imprensa, mas o incêndio chegou a uma bacia da barragem de Odelouca, facto que pode ser favorável. “A situação é preocupante mas está controlada”, garantiu. “O combate vai ser feito durante a noite com operacionais vindos de todo o país”, afirmou o mesmo porta voz. O combate tem sido feito em “previsão” e “a atitude de evacuação” foi feita de forma “preventiva”, disse o responsável da Proteção Civil.

Na manhã desta segunda-feira, o incêndio progredia em duas frentes: uma em direção a Caldas de Monchique, Podalgais e Vale do Boi e outra a avançar em direção à freguesia de São Marcos da Serra. Fonte da Proteção Civil explicou que o fogo ladeou durante a noite a barragem de Odelouca, que ao início da manhã de hoje progredia em direção à Estrada Nacional 124 (Sul) e que foram colocadas no terreno diversas máquinas de rastro para tentar travar o avanço das chamas. O responsável da ANPC confirmou ainda que as chamas obrigaram a evacuar as localidades de Caldas de Monchique, Rasmalho, Monchicão, Barranco do Banho e Montinho.

“Num conjunto de pequenas povoações ao longo do incêndio, pode ter havido casas isoladas que podem ter sofrido as ações das chamas”, disse também Duarte da Costa.

De acordo com informações recolhidas pelo Observador junto do Posto de Comando de Monchique, no local do incêndio, Portimão, o concelho mais próximo, abriu a Portimão Arena para acolher as pessoas que foram deslocadas. Todos os municípios do Algarve disponibilizaram autocarros para transportar as pessoas da vila de Monchique para locais seguros.

Já na manhã de segunda-feira, de acordo com informações prestadas pela Proteção Civil à agência Lusa, havia registo de 24 pessoas feridas durante a noite de domingo no incêndio no concelho de Monchique e que já obrigou a evacuar diversas localidades e pelo menos uma unidade hoteleira. Fonte da Autoridade Nacional da Proteção Civil confirmou mesmo que um dos feridos, uma mulher de 72 anos, estava em estado grave e teve de ser transportada de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Segundo Manuel Cordeiro, adjunto de operações nacional da ANPC, até às 5h45 o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) tinha registado 64 ocorrências, com 40 pessoas assistidas (12 civis e 28 agentes da proteção civil).

Confirma-se que a vila não foi evacuada, mas sim as aldeias circundantes. A mais atingida foi a localidade de Cruz dos Madeiros. A frente mais preocupante continua a progredir para sul, em direção ao concelho de Silves, porque o vento não está a ajudar.

Praticamente na vila

Posted by Tiago Coelho on Sunday, August 5, 2018

As pessoas que estão em Alferce e em Monchique estão protegidas por todos os meios disponíveis. A Proteção Civil pede que as populações não entrem em pânico e sigam as indicações das autoridades. Para as próximas 24 horas vão tentar aproveitar a inversão das condições térmicas, muito adversas nas últimas duas noites. O aumento da humidade e a baixa de temperatura podem ajudar no combate às chamas. No entanto, as situações ideais só estarão reunidas na noite de segunda-feira.

O ministro da Administração Interna, também em conferência de imprensa, reforçou que o importante é a “salvaguarda da vida humana”, deixando toda a confiança na Autoridade Nacional de Proteção Civil e nas restantes autoridades.

Christos Stylianides, o Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises utilizou  sua conta oficial no Twitter para confirmar que Portugal terá pedido uma série de mapas aéreos da zona de Monchique e arredores. As imagens serão cedidas pelo satélite Copernicus e o comissário reforça a ideia de que a UE está a “acompanhar de perto” a situação preocupante que se tem desenrolado no Algarve e que está “disponível para ajudar. ”

“Os esforços de todos os envolvidos estão direcionados para salvar as vidas e as casas das pessoas” — foi tudo isto que o Comandante Distrital das Operações de Socorro conseguiu dizer à comunicação social antes da conferência de imprensa da Proteção Civil.

O fogo progrediu na encosta sudeste da vila de Monchique, para onde várias colunas de meios terrestres de combate foram deslocalizadas, para tentar travar as chamas, que avançaram potenciadas pelas repentinas mudanças de direção do vento, pelas temperaturas elevadas e pela baixa humidade.

Já a meio da tarde deste domingo, o comandante distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vítor Vaz Pinto, confirmava que o incêndio que lavra desde sexta-feira em Monchique já obrigou à retirada de 110 pessoas das suas casas, por precaução. Nenhuma casa habitada ardeu, apesar de alguns armazéns agrícolas já terem sido consumidos pelas chamas, disse o mesmo responsável. Além disso, 30 operacionais já tiveram de ser assistidos devido ao calor e à inalação de fumo.

Na mesma altura, o incêndio que deflagrou na sexta-feira no concelho de Monchique tinha duas frentes preocupantes, uma delas em direção à vila algarvia e sem acesso para meios de combate, disse fonte da Proteção Civil. “Há uma frente virada a sul, em direção à vila de Monchique, que está sem acessos a meios de combate, quer aéreos, quer terrestres, e outra frente, mais a este, que acompanha a EN266 e que, na sua vertente mais a norte, pode evoluir no sentido de Nave Redonda”, disse então o Comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vaz Pinto, durante o ponto de situação ao início da tarde.

Outra frente, em direção ao concelho vizinho de Odemira, está a ceder aos meios de combate. Segundo Luís Oliveira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Odemira, no distrito de Beja, o fogo, na vertente mais a norte, atingiu a serra de Algares, na área do concelho alentejano e contígua à serra de Monchique (Faro), “com mais intensidade” nas redondezas da pequena aldeia de Moitinhas. “O incêndio [na serra de Algares] está a ceder favoravelmente aos meios de combate”, afirmou o responsável.

Na área do concelho de Odemira, segundo as autoridades, foram retiradas desde sábado, por precaução, 31 pessoas de cinco sítios (Várzea do Carvalho, Moitinhas, Barreirinhas, Vale das Hastes e Craveiras). Segundo o presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, as pessoas deslocadas passaram a noite no centro sociocultural de Saboia.

O apoio às pessoas deslocadas está a ser feito por técnicos da Segurança Social e da Cruz Vermelha Portuguesa de Beja, em termos sanitários e logísticos, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS). Pelo menos cerca de 30 hectares de mancha florestal já arderam no concelho de Odemira, referiu o autarca.

Entretanto, os bombeiros de Portimão divulgaram na sua página de Facebook que estão a aceitar no quartel de Portimão ofertas de “águas, barritas e bebidas energéticas” para serem posteriormente entregues aos bombeiros de Monchique.

O incêndio obrigou também as autoridades a retirar, já este domingo à tarde, pessoas de uma zona próxima da Portela do Vento, por “precaução”, disse fonte da Proteção Civil. A GNR, em cooperação com a Cruz Vermelha e Ação social municipal, iniciou a retirada de um número ainda por determinar de pessoas, que poderiam ficar ameaçadas pela progressão das chamas, precisou a mesma fonte.

Os bombeiros estão a ter o trabalho dificultado pelo relevo acidentado do terreno, com encostas íngremes e vales profundos, pelas elevadas temperaturas e pela baixa humidade. A zona de Portela do Vento foi onde esteve instalado o posto de comando móvel da Proteção Civil até sábado à tarde, altura em que as autoridades decidiram mudaram a sua localização para junto do centro de meios aéreos de Monchique, próximo do quartel dos Bombeiros Voluntários de Monchique, para precaver a eventualidade do fogo chegar a essa zona.

No final da tarde de sábado, a aldeia de Altura das Corchas foi evacuada “por precaução”, disse ao Observador o presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André. De acordo com o comandante distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vítor Vaz Pinto, o incêndio já obrigou à retirada de mais de 100 pessoas. “Uma centena de pessoas foram, com certeza, deslocadas”, afirmou o responsável, sem conseguir precisar.

Nas redes sociais, multiplicam-se as imagens que mostram a dimensão do incêndio. Os bombeiros estão a ter dificuldades para responder à propagação do incêndio nas últimas horas, motivada pelas condições meteorólogicas, com temperaturas acima dos 40º e muito vento. As condições demográficas também não ajudam ao combate às chamas, já que alguns dos locais afetados pelo incêndio são de difícil acesso aos bombeiros e aos veículos terrestres.

Antes, à hora de almoço de sábado, o comandante distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vaz Pinto, já tinha previsto a possibilidade de agravamento do incêndio, face a um eventual “aumento da intensidade do vento”. Um aumento que se verificou. Não há registo de habitações destruídas. Segundo a Proteção Civil, apenas “infraestruturas de apoio agrícola” (isto é, barracões agrícolas) sofreram danos.

No concelho, foi ativado o Plano Municipal de Emergência. Ao Observador, o comandante Abel Gomes, do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, explicou na sexta-feira que as dificuldades no combate ao incêndio deviam-se ao facto de este se estar “a desenvolver numa zona demográfica muito difícil” e ao vento estar “a dificultar a ação dos operacionais”. Já o presidente da câmara municipal da localidade, Rui André, garantiu que o fogo estava a lavrar “em áreas de mato”, não havendo habitações em risco. Oito bombeiros e um trabalhador florestal ficaram com ferimentos ligeiros devido ao cansaço e inalação de fumos na sexta-feira, o primeiro de combate ao incêndio.

Às 13h deste domingo, mais de 1.300 bombeiros e outros profissionais combatiam 22 incêndios em Portugal, apoiados por 371 veículos e por 14 aviões e helicópteros. O número tem evoluído quase ao minuto, devido à necessidade de gestão e descanso das equipas de bombeiros e ao surgimento de novos focos de incêndio. Dos 22 fogos, 15 estavam em fase de conclusão, quatro em fase de resolução e três em curso, mas todos são ainda “ocorrências em aberto”, considera a Proteção Civil.

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