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António Costa. Quem acha que o Ministro da Saúde se vai demitir “pode tirar o cavalinho da chuva”

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O primeiro-ministro considera que a demissão de Adalberto Campos Fernandes, um dos temas falados numa entrevista ao Expresso, não vai resolver os problemas no Serviço Nacional de Saúde.

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Quem acha que o Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, se vai demitir “pode tirar o cavalinho da chuva”. Esta foi a garantia dada por António Costa numa entrevista ao jornal Expresso, que vai ser publicada na íntegra este sábado. O primeiro-ministro falou sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde, que nos últimos tempos tem sido tema pelas demissões nos hospitais devido à alegada falta de meios e recursos.

Primeiro, Costa põe em dúvida que existam, de facto, os problemas na Saúde que a comunicação social tem reportado, lembrando que “foi preciso o ministro Correia de Campos se demitir para acabar aquela curiosa epidemia dos partos nas auto-estradas que nunca mais ocorreram desde que o ministro se demitiu”. Mas logo em seguido acrescenta que a demissão de Adalberto Fernandes não vai fazer com que “os problemas se resolvam como por artes mágicas”.

“Já todos nós temos idade suficiente e experiência acumulada para sabermos que o setor da Saúde é um setor no qual com muita facilidade se generaliza e se torna como paradigma situações pontuais”, continuou António Costa nos excertos em vídeo divulgados esta sexta-feira pelo semanário.

Costa foi ainda questionado sobre um dos temas do verão, o caso Ricardo Robles, o ex-vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa que pôs à venda por 5,7 milhões de euros um prédio em Alfama quando, ao mesmo tempo, era um dos maiores críticos da especulação. O primeiro-ministro afirmou-se “surpreendido”.

“Para ser sincero sim”, respondeu. E explicou: “Nunca imaginei que quem emprega com tal virulência a moral política cometesse pecadilhos”.

Na Justiça, Costa foi confrontado com uma polémica antiga. Afinal o Governo pretende ou não substituir a  Procuradora-Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, no final do seu mandato. Em janeiro, a ministra da Justiça abriu a porta à saída da atual PGR, Joana Marques Vidal, no final deste ano, por considerar que, na sua “perspetiva de análise jurídica”, o mandato de seis anos é “único”.

A opinião de Francisca Van Dunem foi apoiada pelo primeiro-ministro, embora Costa tenha dito, na altura, que era “prematuro” fazer essa discussão tão cedo. Entretanto, sabe-se que a Constituição não impede que o mandato seja renovado, cabendo essa decisão inteiramente ao Governo, que propõe o nome, e ao Presidente da República, que nomeia.

“Se o Presidente da República desejar falar antes sobre esse assunto, falaremos antes, mas é um assunto que é tratado com o PR e no momento em que Governo e PR entendem que deve ser tratado”, referiu apenas António Costa na entrevista ao Expresso.

A entrevista do semanário sai para as bancas pouco mais de um dia depois de o incêndio de Monchique ter sido dominado. Tal como nos incêndios do ano passado – que resultaram em mais de 110 mortes – também este ano António Costa foi alvo de uma chuva de críticas, especialmente ter dito que o incêndio de Monchique (41 feridos, milhares de hectares de mata ardidos e dezenas de casas destruídas) foi “a exceção que confirmou a regra do sucesso” no combate aos fogos este ano.

Um dia depois, o primeiro-ministro disse que as declarações tinha sido deturpadas. Na entrevista ao Expresso reitera que a sua posição sobre o assunto é a correta e até começa com uma advertência: “Não queria que as minhas palavras fossem mal interpretadas”. E prossegue: “Dizer que as pessoas pode estar descansadas é uma irresponsabilidade, dizer que têm de estar inquietas é uma desnecessidade”, disse o primeiro-ministro, sublinhando que “com as alterações climáticas, o risco de incêndio é hoje maior do que há décadas atrás” e que “é preciso que as pessoas estejam conscientes [do estado] da floresta” do país.

No último ano da legislatura, o tema da “Geringonça” e dos partidos que a suportam torna-se ainda mais premente. A atual solução governativa – PS apoiado no parlamento pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda – tem condições para continuar? “É claro que para todas as pessoas que esta solução só é possível com um PS forte e quanto mais forte for o PS melhor funcionará esta solução política”, sublinhou António Costa, acrescentando ainda que deseja ter “o maior número de votos possível”.

Quando a um acordo à direita, com os sociais-democratas de Rui Rio, Costa sublinha: “Bloco central não, mas o PSD não tem lepra”. Uma piscadela de olho a uma geringonça à direita ou o objetivo é por em sentido os parceiros PCP e BE para as negociações do Orçamento de Estado?

Neste aspeto, Costa também abordou uma velha reivindicação dos partidos à esquerda do PS, as reformas antecipadas. E nesse ponto disse que é uma matéria que está a ser negociada. “Já demos dois passos decisivos: a eliminação de qualquer tipo de penalização para quem tenha 48 anos de trabalho e um mínimo de 60 anos de idade. Demos agora um segundo passo: a possibilidade da reforma aos 60 anos para quem tenha 46 anos de serviço e tenha começado a descontar aos 15 anos de idade. E é uma matéria sobre a qual estamos s trabalhar para procurar fazer agora justiça a quem não teve a oportunidade de ter a infância que poderia ter tido”, disse o primeiro-ministro.

No debate sobre o Estado na Nação, em julho, Costa tinha referido que o governo tencionava aprovar em julho o diploma que permite o acesso à reforma antecipada sem penalizações aos trabalhadores que têm carreiras contributivas longas. Até ao final do mês passado, isso não aconteceu. Entretanto, na semana passada, fonte oficial do Ministério do Trabalho e da Segurança Social garantiu ao Dinheiro Vivo na semana passada que o diploma em causa encontra-se já “em circuito legislativo” e que o Governo “mantém a intenção de o novo regime entrar em vigor no último trimestre do ano”.

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Maria João Avillez
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Releia-se a espantosa carta de Costa a Negrão, repare-se no seu tom ditatorial, pasme-se sobre o seu acinte, e perceber-se-á porque evoco o passado recente socialista. Perceber-se-á ao que chegámos.

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