O ator Geoffrey Rush terá simulado “apalpar e acariciar” a atriz Eryn Jean Norvill, que está no centro do seu processo de difamação contra o jornal Sydney Daily Telegraph sobre artigos que falam num comportamento inapropriado do ator entre 2015 e 2016, quando fez parte da peça de teatro King Lear.

Segundo documentos do tribunal, os advogados do jornal argumentam que Rush agiu como um “pervertido” e teve um “comportamento sexualmente predatório” durante algumas situações da produção da peça da Companhia de Teatro de Sidney. O tribunal federal ouviu o jornal na semana passada, estando o julgamento marcado para 22 de outubro, depois de o testemunho de Norvill poder ser incluído como prova.

Um dos casos apresentados em tribunal deu-se durante as últimas semanas da produção, quando Rush e Norvill estavam a ensaiar uma cena em frente ao elenco e à equipa. Rush terá começado a fazer gestos, simulando que estava a “apalpar” os seios de Norvill, enquanto a atriz estava em palco. Norvill interpretou a filha de Lear, Cordelia, e estava deitada no palco com os olhos fechados. Rush, entretanto, interpretava Lear, que se estava a lamentar por ela. Segundo os documentos, o ator deveria tocar “no rosto e no braço” de Norvill durante a cena, como “um pai de luto”. Nessa altura, a atriz abriu os olhos quando ouviu pessoas a rirem e terá visto Rush “a mexer as mãos acima do seu torso e a fingir que estava a acariciar a parte superior do seu tronco”.

O documento diz também que esta conduta tinha como objetivo “ridicularizar” Norvill enquanto a atriz estava numa posição vulnerável, acrescentando também que o diretor de produção, Neil Armfield, deu a Rush a instrução de que deveria tornar a cena mais “paternal”, porque estava a tornar-se “assustadora e incerta”. Rush negou veementemente todas as alegações.

Seis meses depois da produção da peça, o ator terá também enviado uma mensagem a Norvill, onde disse que pensava nela “mais do que é socialmente apropriado”. Os advogados de acusação quiseram retirar o documento das provas, argumentando que algumas das alegações não são precisas e que não há explicação sobre porque é que elas diferem muito das alegações feitas anteriormente pelo Telegraph, quando tinham outra defesa, que foi eliminada pelo juiz Michael Wigney em março, depois de se ter concluído que as suas acusações eram “claramente deficientes” e “vagas e imprecisas”.

A nova defesa obrigou ao adiamento do julgamento por sete semanas, estando a advogada de Rush, Sue Chrysanthou, a tentar indemnização para o ator. “O senhor Rush está a sofrer um trauma contínuo por causa do processo e por causa das acusações e o atraso de sete semanas talvez não seja um grande problema para a News Limited [empresa do Telegraph], mas é um grande problema para ele”, disse a advogada no tribunal federal na semana passada, citada pelo The Guardian.