380 mil dólares. Foi esse o valor que a atriz e realizadora italiana Asia Argento terá acordado com Jimmy Bennett, o jovem ator que a acusou de assédio sexual, em troca do seu silêncio. O acordo, ao qual o The New York Times teve acesso, terá sido feito poucos meses depois de a atriz que se viria a tornar líder do movimento #MeToo ter acusado o produtor Harvey Weinstein de a ter violado.

Bennett tinha 17 anos quando participou num filme com Asia Argento, no qual interpretava o papel de seu filho. O ator e músico disse ter sido abusado sexualmente pela atriz, então com 37 anos, num quarto de hotel na Califórnia. Com os documentos do acordo enviado ao jornal, através de um email encriptado, chegou também uma selfie de maio de 2013 que mostra Asia Argento e o jovem deitados numa cama.

Jimmy Bennett tinha 17 anos quando participou num filme com Asia Argento, altura em que terá acontecido o abuso (Foto de David Becker/Getty Images)

Os detalhes finais do acordo foram acertados em abril. Nesse mês, a advogada de Argento enviou uma carta com um cronograma de pagamentos dos 380 mil dólares (cerca de 332 mil euros) — um valor que a advogada caracterizou como uma forma de “ajudar Bennett”.

Esperemos que nada disto aconteça consigo novamente. Você é um criador poderoso e inspirador e ter de viver com pessoas rascas que se aproveitaram tanto das suas forças como das suas fraquezas é miserável”, pode ler-se na carta assinada pela advogada da atriz.

Mas o valor pedido por Jimmy Bennett era muito superior àquele que foi acordado: 3,5 milhões de euros. Num primeiro contacto a anunciar as intenções de acusar a atriz, o advogado alegou que o jovem sofreu danos mentais, que o prejudicaram a nível profissional com perda de salários, e até agressão.

Asia Argento foi uma das primeiras mulheres a acusar de assédio sexual Weinstein, tornando-se por isso líder do #MeToo, o movimento que denunciou milhares de casos de assédio sexual e violação pelo mundo. O namorado, o chef Anthony Bourdain, que se suicidou em junho deste ano, também se juntou ao movimento.

Em Maio, Asia Argento fez um discurso na cerimónia de encerramento do Festival de Cinema de Cannes 2018 sobre Weinstein. “Em 1997, fui violada por Harvey Weinstein aqui, em Cannes”, começou por dizer. No final, o discurso foi aplaudido, elogiado e reproduzido em jornais de todo o mundo.

Eu quero fazer uma previsão: Harvey Weinstein nunca mais vai ser recebido aqui. Ele viverá em desgraça, evitado por uma comunidade cinematográfica que o abraçou e encobriu os seus crimes”, disse a atriz na cerimónia.

O The New York Times garante que tentou contactar a atriz, através de chamadas, mensagens e emails não obteve respostas. A advogada de Asia Argento também foi contactado mas recusou comentar o caso. O advogado de Bennett não concordou ser entrevistado pelo jornal ao qual enviou um email: “O Jimmy vai continar a fazer o que ele tem vindo a fazer nos últimos meses e anos, focando-se na sua música.”

A atriz Rose McGowan, que é também uma das vozes do movimento #MeToo, já reagiu às notícias sobre a acusação contra Asia Argento. “Acabei de conhecer a Asia Argento há dez meses. O que tínhamos em comum era a dor partilhada de termos sido agredidas sexualmente por Harvey Weinstein. O meu coração está partido. Vou continuar o meu trabalho em prol das vítimas“, escreveu a atriz.

Depois acrescentou ainda que não se devem tirar conclusões precipitadas. “Nenhum de nós sabe a verdade da situação“, escreveu, acrescentando que acredita que vão ser reveladas mais coisas. “Sejam gentis”, concluiu.

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