Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Steve Jobs, o criador da Apple, é descrito como um pai frio, distante e, por vezes, cruel no novo livro que explora um dos lados mais íntimos da vida do norte-americano. A filha do inventor, Lisa Brennan-Jobs, que nasceu quando o pai tinha apenas 23 anos, descreve as suas memórias numa obra que chega ao mercado no início de setembro. O livro “Small Fry” está no centro de uma polémica e já fez com que a viúva de Jobs, Laurene Powell-Jobs, emitisse um comunicado a desmentir o perfil feito do marido, que faleceu em 2011.

Os excertos do livro, publicados na Vanity Fair e no The New York Times, revelam um pai pouco participativo na vida da filha. Lisa Brennan conta que Steve Jobs não reconheceu de imediato a paternidade e que o tribunal o obrigou a pagar a pensão de alimentos: “Em 1980, o procurador do distrito de San Mateo, na Califórnia, processou o meu pai por causa da pensão de alimentos. O meu pai respondeu negando a paternidade, jurando num depoimento que era estéril”, lê-se no excerto disponibilizado pela Vaity Fair.

Segundo a autora da obra, o tribunal obrigou Steve Jobs a pagar 385 dólares à mulher da sua filha, um valor que o próprio aumentou para 500 dólares, sem contar com o seguro de saúde, até que Lisa completasse os 18 anos de vida. “O caso foi finalizado a 8 de dezembro de 1980, com os advogados do meu pai a insistirem que este fosse fechado. Quatro dias depois, a Apple tornou-se pública e, de um dia para o outro, o meu pai passou a valer mais de 200 milhões de dólares.”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

São estas e outras descrições de uma das maiores personalidades no universo da tecnologia que fizeram com que a viúva e a irmã de Steve Jobs viessem a público defender a imagem do lendário empreendedor. Num comunicado citado pelo Business Insider, Laurente Powell-Jobs e Mona Simpson garantem que a descrição feita de Steve Jobs “difere dramaticamente” das memórias que ambas têm da altura em questão. “O retrato feito do Steve não corresponde ao marido e ao pai que conhecemos”, continuam.

“O Steve amava a Lisa e lamentou não ser o pai que deveria ter sido na sua infância. Foi um grande consolo para o Steve ter a Lisa em casa com todos nós nos últimos dias de vida”, continua a viúva. Curiosamente, um desses últimos momentos é relatado por Lisa Brennan, a quem o pai disse, num dos últimos encontros, “cheiras a casa de banho”.

Já Chrisann Brennan, a mãe de Brennan-Jobs, disse ao The New York Tomes que, apesar de ter sido “mesmo muito difícil” ler o livro, a descrição está “correta”, sugerindo ainda que existem coisas piores para contar.

As memórias têm, segundo o jornal acima citado, um objetivo: não só mostrar que a filha perdoou um pai que a rejeitou durante anos, mas também levar os outros a perdoar Steve Jobs — o que poderá ser difícil para alguns leitores. O livro é colocado à venda no mercado norte-americano no próximo dia 4 de setembro.