Marcelo Rebelo de Sousa voltou esta quinta-feira de férias e já deixou o primeiro recado. Numa espécie de rentrée política – apesar de não ter chegado propriamente a parar – confessou que as negociações entre o Executivo e os professores são uma das suas maiores preocupações. Devem chegar a bom porto, desejavelmente, durante o mês de setembro, diz Marcelo. “Tenho uma preocupação, mas pela positiva, que é que seja possível encontrar, antes do debate sobre o Orçamento do Estado, um caminho de diálogo com os professores“, disse.

Uma questão que ficou por resolver antes das férias políticas e que motivou greves no período dos exames nacionais – e garantias de mais paralizações em outubro. Os professores pedem que sejam contabilizados para efeitos de progressão na carreira todos os anos durante os quais viram as suas carreiras congeladas. O Executivo admite contabilizar apenas uma parte. Um diferendo que não conheceu avanços, apesar das negociações entre o Ministério da Educação e os sindicatos.

O que separa professores e Governo? Sete anos e um ‘o’

Mas este impasse não é o único tema que prende a atenção presidencial nas vésperas do início do último ano desta legislatura. Durante a inauguração da terceira edição da Festa do Livro, no Palácio de Belém, e depois de ter comprado os primeiros livros – cerca de dez -, falou à comunicação social. E deixou recados para quem os quisesse ouvir.

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“Há uma preocupação que tenho relativamente ao início do ano letivo”, afirmou. Às primeiras questões dos jornalistas sobre o atraso na divulgação da lista das colocações dos professores, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu de forma redonda – “o ano letivo vai começando aos poucos”. No entanto, perante a insistência, acabou por reconhecer que é uma tema que acompanha com alguma apreensão.

É verdade que os professores têm 15 dias para se apresentar, vamos lá ver se isso não perturba muito o início do ano letivo. Espero que não exista instabilidade, mas admito que o arranque possa ser um bocadinho condicionado, aqui e ali, por causa da chegada dos professores e da sua adaptação às escolas”, confessou o Presidente da República.

Já esta quinta-feira, em declarações à Rádio Renascença, Marcelo Rebelo de Sousa tinha reagido a um outro tema que tem marcado as últimas horas da política portuguesa: a situação na Venezuela. O Chefe de Estado pediu que não se “berrasse” em torno a este tema. E esclareceu porquê esta tarde. “Espero que o tema, que é importante, não seja transformado numa luta partidária porque há contornos que por definição não podem ser trazidos a público”, explicou.

A preocupação relativamente aos luso-descendentes que vivem naquele país foi até uma motivação para que o CDS enviasse esta quinta-feira uma pergunta ao Governo sobre os planos que tem para apoiar a comunidade portuguesa. Os centristas apresentam inclusive algumas medidas para tentar solucionar o problema, como a criação de uma ponte aérea entre os dois países ou a redução de 50% do IRS para os portugueses que queiram regressar.

Questionado sobre se o Executivo deve acatar as medidas do CDS, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que “nenhum Governo minimamente sensato deixa de ter vários planos possíveis sobre vários cenários possíveis”, mas voltou a frisar que “qualquer plano feito por definição” vai falhar, tal é a complexidade do tema.

Uma festa que marca a rentrée de Marcelo

A terceira edição da Festa do Livro de Belém arrancou às 18h00, estava bom tempo – “algo que não aconteceu no ano passado” -, Marcelo Rebelo de Sousa apareceu 40 minutos depois. Por essa altura, já várias crianças aguardavam, impacientes, de telemóvel na mão. Um minuto depois, já uma das crianças acomentava com a mãe que tinha conseguido “tirar uma selfie com o senhor presidente”.

Marcelo Rebelo de Sousa ia parando em todas as bancas. Na maioria delas, fez compras. Livros de história e de política foram os mais apreciados. De cada vez que tirava os olhos dos títulos, apareciam mais crianças para solicitar uma fotografia. Havia pressa e, por isso, muitas foram recusadas. Mas não todas. “Vá, vamos tirar esta depressa, que já houve vários meninos com quem não tirei e que podem ficar zangados”.

Na primeira volta que deu, deteve-se por diversos expositores sem chegar a comprar nenhum livro. Como aconteceu com o livro de Cavaco Silva – “Quinta-feira e outros dias”. Marcelo olhou para o exemplar, notou a sua presença, mas preferiu levar um livro de fotografias de Alfredo Cunha a… Mário Soares. De seguida, pegou num exemplar de uma biografia de Marcelo Caetano e pagou.

Foi rodeado de livros e de afetos que o Presidente da República regressou de umas férias que não foram propriamente marcadas pelo descanso e pela descontração. Sempre com câmaras atrás e com microfones em riste, à espera de qualquer comentário sobre a última polémica ou novidade, Marcelo Rebelo de Sousa não passou despercebido durante o mês de agosto.

Algo que não pareceu preocupá-lo. Entre mergulhos e selfies, ia comentando a atualidade política e promulgando diplomas em direto para as televisões. Os locais escolhidos para o seu descanso – zonas afetadas pelos incêndios do ano passado – tiveram, também, uma simbologia política.

A Festa do Livro acontece, pelo terceiro ano consecutivo, no Palácio de Belém, e marca o regresso à atividade política do Chefe de Estado. A terceira edição, que além de livros conta com a presença de autores, espetáculos e exibição de filmes, arrancou esta quinta-feira e termina no domingo. Este ano, a programação infantil vai ter mais destaque do que nas festas anteriores.

E até há um livro infantil ilustrado, a contar a vida do próprio Marcelo Rebelo de Sousa. A capa, claro, é uma ilustração de Marcelo… a tirar selfies com crianças.