Se o ministro da Educação diz que o ano letivo vai começar com tranquilidade, Mário Nogueira, líder da Fenprof, diz que o governo “deve viver no país dos sonhos”. Para já, na primeira conferência de imprensa depois das férias dos professores, Mário Nogueira deixa bem claro que a disponibilidade para a luta não vai esmorecer. Os vários protestos que estavam agendados mantém-se — a não ser que haja novidades inesperadas na reunião de dia 7 com a equipa do ministro Tiago Brandão Rodrigues. A greve de outubro também segue em frente.

Sobre a paralisação, a única dúvida é quantos dias durará. Tal como tinha sido anunciado antes das férias escolares, na primeira semana de outubro, os protestos vão ser intensos. O que é absolutamente certo é que a Fenprof convocará uma “grande manifestação nacional” para dia 5, data em que que se celebra o Dia do Professor. A dúvida é o que se vai passar nos quatros dias que antecedem a mobilização.

“Entre 1 e 4 de outubro vai haver greve. O que nós estamos ainda a discutir é o formato. Poderá ser um dia de greve, poderão ser vários. Poderá ser, como já fizemos, uma greve de vários dias, mas dividida por regiões”, explicou o secretário-geral da Fenprof aos jornalistas.

Esta sexta-feira, a Fenprof reúne-se com as outras nove estruturas sindicais, FNE incluída, e será neste encontro que a decisão será tomada. A ideia dos sindicatos é irem preparados, com respostas na ponta da língua, para o caso da reunião de 7 de setembro onde, para além da equipa do Ministério da Educação estará também uma das Finanças, não ter resultados práticos.

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“Nós temos lido o que o é dito na comunicação social. Lemos a entrevista do senhor primeiro-ministro e a do ministro das Finanças. Mas o que conta, o que é oficial, é o que nos vai ser dito na reunião de 7 de setembro”, argumentou Mário Nogueira que várias vezes repetiu que os professores não abdicam de um dia que seja do tempo em que as carreiras estiveram congeladas. E será logo à saída desse encontro que os  sindicatos anunciaram novas formas de luta se as suas reivindicações não forem satisfeitas.

“Vamos ver qual é a vontade que o Governo tem de manter os professores na luta”, sublinhou. Para os professores, abdicar de qualquer dia dos 9 anos, 4 meses e 2 dias em que as carreiras estiveram congeladas é um cenário que nem sequer imaginam. “Estamos dispostos a discutir a forma e o prazo. Mas atenção. Não é a recuperação em 10 ou 20 anos como já foi dito pelo primeiro-ministro. Isso é no tal país dos sonhos”, disse, acrescentando que os professores “não querem nada que seja um luxo”.

“Durante 8 meses do ano não se cumpriu a lei do Orçamento do Estado, não admitimos que nos 4 meses que faltam para o ano terminar o artigo 19.º não seja cumprido”, sustentou o líder da Fenprof. Para Mário Nogueira, esta situação pode até causar um constrangimento nas negociações do Orçamento do Estado para 2019, já que acusa o Governo de, na matéria de recuperação do tempo das carreiras congeladas, não ter cumprido com o acordo feito com os partidos de esquerda. “Está criado um clima de suspeição para a negociação do Orçamento do estado para 2019”, concluiu.