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Alemanha

Português procura últimos vestígios de Lenine na Alemanha

O projeto "Lenin is still around", uma pesquisa iniciada em 2014 e que junta já 25 monumentos, pretende reunir todas as marcas que ainda existem na Alemanha ligadas ao líder comunista russo.

GREGOR FISCHER/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O projeto “Lenin is still around”, uma pesquisa iniciada em 2014 e que junta já 25 monumentos, pretende reunir todas as marcas que ainda existem na Alemanha ligadas ao líder comunista russo.

A ideia surgiu a Carlos Gomes com uma excursão a Wünsdorf, no leste da Alemanha, a 05 de outubro de 2014, quando viu uma estátua de Lenine.

Carlos Gomes ficou surpreendido porque pensou que na Alemanha “já não existiam monumentos dedicados a Lenine”, pelo que começou a investigar e descobriu que “não havia nenhuma lista atualizada”.

“O que no início pensei que ia ser simples, acabou por revelar-se mais complexo. Há estátuas do Lenine que ainda estão abandonadas em antigos complexos militares soviéticos na Alemanha de Leste. Outras que estão listadas, mas desapareceram, foram retiradas sem que as autoridades soubessem. E há também estátuas que foram repostas em espaços públicos por pessoas ou agrupamentos civis sem que as autoridades competentes soubessem”, conta Carlos Gomes, diretor do projeto de investigação “Lenin is still around” (“Lenine ainda está por aí”).

No total, já reuniu na página oficial do projeto 25 monumentos dedicados exclusivamente a Lenine, encontrados em 19 localidades do leste da Alemanha.

As cidades de Berlim, Halle, Fürstenberg e Wünsdorf têm mais de um monumento e de fora ficam os monumentos em museus.

“Surpreende-me muito que, num país como a Alemanha, uma estátua como a que se encontrava em Potsdam, de mais de 2,5 metros e com mais de 500 quilos, possa desaparecer sem que ninguém saiba onde está”, revela Carlos Gomes a propósito do desaparecimento do monumento de Lenine na cidade de Potsdam (a pouco mais de 20 quilómetros de Berlim), que aconteceu em 2004 e novamente em março deste ano.

O autor do projeto “Lenin is still around”, com uma página na Internet em alemão e em inglês, admite, com surpresa, que “depois de tantos anos de guerra fria, Lenine ainda continua a ser um território de batalhas simbólicas e ideológicas”.

E revela que “há muitas discussões políticas à volta do tema”, dando exemplos: “há vilas onde o presidente da câmara decide retirar o monumento a Lenine e a população protesta e recolhe assinaturas para evitar que seja retirado. Há outros sítios onde querem colocar a estátua de Lenine na lista oficial de monumentos, mas os políticos fazem tudo para evitar”.

“Na Alemanha o meu projeto tem tido uma acolhida bastante positiva. É um tema que está a renascer. Com a distância temporal, quase 25 anos passados desde a reunificação da Alemanha, já se pode falar com base científica dos monumentos da Alemanha de Leste, sem ter que tomar uma posição ideológica”, admite o também professor, que ensina alemão a estrangeiros.

A iniciativa “Lenin is still around” tem um financiamento praticamente inexistente, confessa Carlos Gomes, mas com as participações em conferências e publicações em jornais (a “Junge Welt” publicou com uma série de 12 textos da sua autoria) o projeto tem sido “praticamente autofinanciado”.

A viver em Berlim há cinco anos, Carlos Gomes admite que o tema é delicado, mas defende que “deve ser estudado de uma forma ampla, avaliando o valor artístico e histórico, sem entrar em ideologias”.

“Às vezes digo a brincar que o Lenine já é quase um ícone pop, como o Che Guevara, mais dia menos dia a Zara está a vender ‘t-shirts’ com a cara dele”, comenta Carlos Gomes, entre risos.

Neste sábado celebrou-se o 24.º aniversário da retirada do exército russo da Alemanha, que aconteceu a 31 de agosto de 1994.

No entanto, o plano de retirada foi desenhado a 12 de outubro de 1990, depois do fim da Guerra Fria e da queda do muro de Berlim.

Poucos dias depois da reunificação da Alemanha, Bona (antiga capital da Alemanha) e Moscovo, assinaram um acordo sobre a limitação da permanência das tropas soviéticas até ao final de 1994, mas o prazo acabaria por ser antecipado cerca de três meses.

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