O presidente da Câmara Municipal de Pedrogão Grande disse esta quarta-feira que não houve “desvio de verbas” nem “irregularidades” na reconstrução das casas afetadas pelo incêndio de junho de 2017. Valdemar Alves falou aos jornalistas na sequência das buscas que a PJ realizou esta quarta-feira nas instalações da autarquia e na Casa da Cultura, que o presidente considera ser o local “mais importante, onde estavam os dossiês”.

Valdemar Alves garantiu que todas as casas que foram reconstruidas são de primeira habitação, embora admita que se venha “a provar que uma ou outra poderá não ser”: “Aquelas que eu encaminhei para fundo Revita, com certeza que são de primeira habitação”, afirmou.

O presidente da Câmara Municipal de Pedrogão disse que as diligências serviram apenas para a PJ “apreender o material que interessa” e informou que não foi constituído arguido. Nas buscas, foram inspecionados computadores, telemóveis e arquivos “de todo o gabinete que tratava da reconstrução das casas”, disse Valdemar Alves: “Verificaram os processos um a um, os computadores dos funcionários, o meu, os meus telemóveis”.

O autarca afirmou ainda que se sente aliviado e tranquilo: “Desvios é impossível haver porque só era pago aos empreiteiros e os nossos parceiros são de uma honestidade ímpar e têm contas na internet, são fiscalizados. Penso que não há, não pode ter havido desvios, é impossível”.

Valdemar Alves referiu ainda que está a ponderar avançar com um processo interno para averiguar se houve irregularidades administrativas no processo de reconstrução por parte do município.

Questionado sobre se era possível ter concedido facilidade a pessoas que são da sua confiança pessoal e política, respondeu que não acredita “em compadrios”: “São terras pequenas, somos poucos habitantes. Somos todos primos e primas, somos todos colegas. Não pode haver compadrio. Admito que pode haver coincidências mas não compadrio”. Sobre uma possível demissão, disse que não vai acontecer: “Nem pensar nisso. Isso seria trair a maioria dos pedroguenses que votaram em mim”.

O Ministério Público abriu, em junho, um inquérito para investigar alegadas irregularidades na reconstrução de casas afetadas pelos incêndios de Pedrógão Grande. A informação foi confirmada pela Procuradoria Geral da República depois da revista Visão ter noticiado que meio milhão de euros de donativos destinados à reconstrução de casas de primeira habitação terão sido desviados para casas de segunda habitação.

Recentemente uma reportagem da TVI nas aldeias atacadas pelas chamas mostrou vários testemunhos que dão conta de que algumas casas desabitadas há anos foram reabilitadas com os valores dos donativos, mesmo não sendo a habitação principal dos seus proprietários. Alguns terão mudado o seu domicílio fiscal para conseguir o dinheiro. Enquanto algumas vítimas, que foram realojadas temporariamente noutros locais, se queixam de que continuam à espera que as suas casas sem reabilitadas.