Estou convencido de que numa semana temos as 2.500 assinaturas para realizar um congresso, se necessário“, disse André Ventura ao jornal i (link indisponível), manifestando a vontade de ser o rosto daquele que seria o primeiro movimento formal com vista à destituição de Rui Rio da liderança do PSD. Para já, contudo, as declarações do vereador da câmara de Loures não passam de mera intenção. Ventura não avança se há mais pessoas envolvidas no processo, e empurra a decisão para o mês de dezembro, dando a Rui Rio uma espécie de última oportunidade para dizer ao que vem no debate do Orçamento do Estado para 2019, que se vai passar entre outubro e final de novembro.

Antes disso, contudo, André Ventura ainda se vai encontrar com Rui Rio. Segundo o mesmo jornal, o polémico ex-candidato do PSD à câmara de Loures, pediu uma reunião a Rui Rio depois de este ter afirmado, no programa Bloco Central da TSF, que quem “discorda estruturalmente” da linha seguida pelo partido deve seguir o exemplo de Santana Lopes e sair. A reunião está marcada para o final da próxima semana.

Embora queira “liderar um pedido de congresso destitutivo”, André Ventura, que apoiou Santana Lopes nas diretas, diz que “o resto é com os militantes” e que não se quer envolver numa eventual revolta contra o líder. “Temos a noção de que esta situação pode originar uma enorme instabilidade no PSD, mas para uma solução extraordinária, soluções extraordinárias. E se isto continuar assim, tenho a certeza de que o PS vai ter maioria absoluta”, diz, colocando pressão nos ombros de Luís Montenegro. “Tenho dito que o dr. Luís Montenegro é a única solução e não pode virar as costas ao PSD nesta altura”, disse ao mesmo jornal.

Depois de recolher as 2.500 assinaturas, as assinaturas ainda teriam de ser validadas pelo conselho de jurisdição do PSD e pelo Conselho Nacional, que, nesse sentido, aprovaria uma moção de censura ao líder. Resta saber se o autarca de Loures tem ou não apoios para o fazer.

Em janeiro, apenas duas semanas depois de Rui Rio ter vencido as eleições diretas contra Santana Lopes, já André Ventura dizia que não acreditava que Rui Rio devolvesse as vitórias ao PSD, e anunciava uma pré-candidatura às próximas diretas. “Rui Rio vai manter o PSD neste círculo de enorme proximidade ao PS e ao politicamente correto. Duvido muito – Deus queira que esteja errado – que nos leve à vitória [nas legislativas] em 2019”, dizia na altura à revista Sábado.

André Ventura tornou-se uma figura controversa quando, na campanha para as autárquicas de outubro, fez declarações polémicas nomeadamente contra o que considera ser a subsidiodependência da comunidade cigana, assim como a favor da prisão perpétua, do trabalho obrigatório para reclusos ou da castração química de pedófilos.