Economia

Transferências imediatas. O seu ordenado vai passar a chegar à conta um dia mais cedo

1.425

Transferências imediatas, entre bancos nacionais, já estão disponíveis nas principais instituições. Através do banco ou do "homebanking" (nas caixas MB ainda não), o dinheiro "viaja" em segundos.

O salário vai passar a chegar à conta um dia antes (saiba o que está em causa com as transferências imediatas)

Getty Images

Adeus, esperar por amanhã para que uma transferência bancária chegue ao destino. Adeus, comprar alguma coisa e ter de enviar um comprovativo para mostrar que já se fez a transferência. E, também, adeus a ter de esperar um dia a mais para receber o ordenado só porque a empresa calha de trabalhar com um banco diferente do nosso.

Desde a passada terça-feira, 18 de setembro, que a maioria dos bancos a operar em Portugal já disponibilizam transferências imediatas — feitas em menos de 10 segundos — graças a um sistema há vários meses prometido pela SIBS e que acaba de ser lançado oficialmente.

Para já, o serviço está disponível apenas em Portugal mas “espera-se que as ligações entre países sejam asseguradas tão cedo quanto possível”, diz o Banco de Portugal. A ideia, a prazo, é que o destinatário do dinheiro — até 15.000 euros — possa estar em Portugal ou em qualquer um dos outros 33 países pertencentes ao espaço SEPA (desde que o banco de destino também seja aderente desta solução pan-europeia).

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o Banco de Portugal, que regula os serviços de pagamentos em Portugal, indica que “as transferências imediatas estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Permitem a disponibilização dos fundos, em poucos segundos, nas contas dos beneficiários das operações”.

Com as transferências imediatas poderá, por exemplo, dividir a conta de restaurante com amigos, efetuar pagamentos de bens e serviços (de forma presencial ou remota) ou transferir dinheiro com urgência para um filho que se encontre no estrangeiro, de forma simples e imediata”, indica o Banco de Portugal.

Na prática, o que se está a falar é de ir ao seu banco (ou ao site ou app, entre as várias formas de fazer operações com o banco) e, na zona das transferências, aparecer-lhe uma opção nova para as transferências imediatas.

No mercado português, 15 bancos (que representam 95% das contas bancárias existentes) já aderiram — e a expectativa é de que os restantes se juntem. Ainda assim, mesmo entre aqueles que já aderiram, a opção pode não aparecer já, porque cada banco estará a fazer os seus planos e adaptação tecnológica para ligar ao sistema que já está em funcionamento, ou seja, pode demorar mais alguns dias ou semanas.

Para utilizar as Transferências Imediatas deve dirigir-se ao seu prestador de serviços de pagamento (por exemplo, o seu banco) e informar-se sobre a oferta deste serviço, respetivas condições e canais disponíveis. A adesão a este sistema é facultativa, pelo que alguns prestadores de serviços de pagamento com atividade no mercado português poderão não disponibilizar esta solução desde o seu lançamento. No entanto, é expectável que a oferta atinja gradualmente maior cobertura – mais instituições aderentes, canais e segmentos abrangidos”, antevê o Banco de Portugal.

No primeiro dia de funcionamento do sistema, porém, houve já vários milhares de transferências, que foram processadas num tempo médio de 1,5 segundos.

Mas isto não é o mesmo que o MBWay? E o Multibanco participa?

As transferências por Multibanco (gratuitas, por lei) ficam de fora deste sistema — pelo que aí vai continuar, para já, a aparecer a mensagem de que as “transferências até às 15h são processadas no dia seguinte”. Mas nos canais de comunicação direta com o banco — onde o homebanking é cada vez mais prevalente — os utilizadores vão poder contar com uma opção de transferência em segundos.

Tecnicamente, a estrutura está a ser preparada de forma a que ao digitar o NIB/IBAN do destinatário (ou usar um favorito pré-memorizado) o sistema verifica em tempo real se a conta de destino pertence ou não a um banco aderente — se assim for, a opção aparece disponível.

Numa primeira fase, os bancos poderão oferecer este serviço gratuitamente, mas é previsível que cada um depois defina a sua política comercial e inclua este serviço nos preçários. O serviço poderá não só ser útil para as transferências entre pessoas, como também entre empresas e particulares (o exemplo dos pagamentos de ordenados) e, ainda, entre empresas e empresas, o que tem potencial para dinamizar as transações no mundo empresarial e agilizar processos.

Já está com forte implantação em Portugal um outro serviço de pagamentos e transferências instantâneas — a aplicação móvel MBWay, que deve chegar a 2019 com um milhão de utilizadores. Mas a diferença é que o MBWay é um serviço entre cartões bancários (uma espécie de Multibanco no telemóvel) enquanto que o serviço agora lançado é “conta-a-conta”, ou seja, funciona através do IBAN e não é preciso qualquer adesão por parte dos utilizadores.

O serviço agora lançado já foi feito em conformidade com os padrões europeus (SCT Inst) mas terá de se “ligar”, nos próximos meses, ao sistema europeu de pagamentos instantâneos que o Banco Central Europeu (BCE) está a desenvolver: o chamado TIPS, que entra em vigor a 30 de novembro de 2018. Dessa forma, ficará assegurada a harmonização e abertura além-fronteiras, dentro da Europa, que as autoridades europeias querem assegurar no mercado europeu de transferências e pagamentos.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt
PSD

Quando o Papa não é católico /premium

Rui Ramos

Para o PSD, a exclusão do PCP e do BE é a grande prioridade nacional. Mas para isso, é indiferente votar PSD ou PS. Como explicaram os quadros do BCP, uma maioria absoluta do PS também serve.

Corrupção

O caso da OCDE e a corrupção /premium

Helena Garrido

O que se passou com a OCDE foi grave. O responsável pelo estudo foi impedido de estar presente na apresentação. E uma conferência da Ordem dos Economistas foi cancelada. Aconteceu em Portugal.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)