A greve dos trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP obrigou, esta segunda-feira, ao encerramento de 95% dos locais de venda de bilhetes e afetou a circulação ferroviária, cumprindo-se pouco mais do que os serviços mínimos decretados.

“A adesão é total dos trabalhadores. Apenas se estão a efetuar os serviços mínimos de comboios, registando-se 95% das bilheteiras encerradas em todo o país”, disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luís Bravo.

Segundo o sindicato, apenas os comboios dos serviços mínimos circularam, mas a CP — Comboios de Portugal, num ponto de situação das 08h00, indica que se cumpriram 100 ligações, 93 das quais pertenciam aos serviços mínimos. No total, estavam programados 252 comboios, o que significa que apenas se cumpriram cerca de 40% das ligações.

Os trabalhadores das bilheteiras e revisores da CP – Comboios de Portugal estão esta segunda-feira em greve pela contratação de trabalhadores, mais comboios e pela negociação para o contrato coletivo.

A greve foi convocada pelo Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) que criticou o Ministério das Finanças por “bloquear os acordos entre o Ministério do Planeamento, a CP e o SFRCI”, dizendo que estão por contratar “88 trabalhadores para o [serviço] comercial da CP (revisores, trabalhadores para as bilheteiras)”.

Numa nota emitida antes do início da greve pela CP, a empresa indicava que permitirá o reembolso do valor total aos clientes que já tenham bilhetes adquiridos para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Regional e Celta que não se realizem, ou a revalidação, sem custos, para outro dia/comboio.

Segundo o sindicato, por falta de trabalhadores das bilheteiras, “a CP deixa de cobrar milhares de euros”, enquanto por falta de revisores “existem comboios que transportam cerca de 900 utentes (mais de oito carruagens ou mais de uma unidade indivisível) que por questões de segurança deveriam circular com dois revisores e circulam só com um, colocando em risco a segurança dos utentes e da circulação”.

Suprimidos 388 comboios de 560 em dia de greve com “adesão total”

Até às 12h00, CP suprimiu 388 comboios de um total de 560 previstos, dos quais 22 eram de longo curso (alfa pendulares e intercidades), 102 eram regionais, 188 eram urbanos em Lisboa e 76 eram urbanos do Porto. O sindicato fala numa “adesão total” à paralisação.

Luís Bravo, do SFRCI, assinalou que “há zonas do país onde há mais composições a circular em dia normal, que é Lisboa e Porto, e aí os utentes sentirão um impacto [maior]”.

Em 1.300 que a CP prevê fazer por dia, serão afetados mil comboios” esta segunda-feira, estimou o representante.

Luís Bravo adiantou que “a expectativa” do sindicato é que a situação se mantenha assim ao longo do dia, sendo esperado que os trabalhadores adiram “massivamente” à paralisação de 24 horas. “Isto não é poupar dinheiro, é gestão danosa ou pouco criteriosa por parte do Ministério das Finanças. Um trabalhador de bilheteira ou um revisor não é um custo para a empresa, é um ganho”, adiantou Luís Bravo à Lusa.