A Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) queixa-se de que tem vindo a assumir toda a despesa associada aos descontos implementados este ano para os passes das famílias carenciadas e dos estudantes — uma despesa que devia ser do Estado — e, por isso, ameaça não aderir aos novos passes familiares que estão a ser estudados para 2019.

De acordo com a TSF, a Associação acusa o Governo de dever a estas empresas cerca de 8 milhões de euros pelos descontos aplicados de janeiro a setembro nos passes das famílias carenciadas e estudantes. Cabaço Martins, presidente da ANTROP, sublinha que os atrasos nos pagamentos são normais, e que a resolução do Conselho de Ministros que autoriza as Finanças a liquidar a despesa até costuma acontecer a meio do ano, mas não é isso que está a acontecer em 2018. “É simplesmente uma autorização, uma questão burocrática, para pagar aos operadores de transporte privados pois a verba já está cabimentada no Orçamento”, diz à TSF.

É por isto que a ANTROP põe uma linha vermelha: se a verba relativa à despesa com os anteriores descontos não for disponibilizada, as empresas de transportes de passageiros ameaçam não vir a aderir aos novos passes anunciados ontem para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Em causa está a medida anunciada esta quarta-feira que diz que as famílias residentes em Lisboa e Porto vão ter direito a várias benesses a partir de 2019. Entre elas, está a criação do passe-família que está em preparação pelo governo no âmbito do Orçamento do Estado e que poderá permitir poupanças mensais superiores a 100 euros. Além disso, as famílias que, por exemplo, tenham quatro utilizadores de transportes públicos, só duas, no limite, pagarão passe.

Lisboa e Porto vão ter ‘passe família’ nos transportes públicos

“Estamos a falar de montantes ainda mais elevados pelo que não será possível continuar com o mesmo sistema”, diz Cabaço Martins, explicando que se o sistema não for alterado, os novos passes ficam comprometidos. “Estamos a falar de um princípio banal” de pagar a tempo e horas, diz ainda.