INTERPOL

Presidente da Interpol Meng Hongwei demite-se após ter sido detido na China

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A organização policial internacional anunciou a demissão "com efeito imediato" do seu presidente, o chinês Meng Hongwei. Pequim deteve Hongwei por suspeita de ter "violado a lei estatal".

WALLACE WOON/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente da Interpol, o chinês Meng Hongwei, apresentou este domingo a sua demissão, depois de ter sido noticiada a sua detenção na China, por alegada “violação da legislação” estatal chinesa. O anúncio foi feito pela própria organização policial internacional Interpol, com sede em Lyon (leste da França).

“Hoje, domingo, 07 de outubro, o secretariado geral da Interpol em Lyon, em França, recebeu a demissão de Meng Hongwei, na qualidade de presidente da Interpol, com efeito imediato”, refere um comunicado divulgado no Twitter, algumas horas após a mulher do dirigente chinês ter afirmado perante os media em Lyon que o seu marido estava “em perigo” na China.

As autoridades de Pequim confirmaram esta segunda-feira (hora local, noite de domingo em Lisboa) a detenção de Meng Hongwei, por alegada e “grave violação da legislação estatal”, informou previamente o diário South China Morning Post.

Meng estava considerado desaparecido desde 25 de setembro, quando viajou para a China. Após vários dias de silêncio, a Comissão nacional de supervisão (o órgão anticorrupção chinês) informou num breve comunicado a detenção de Meng, que anteriormente ocupava a pasta de ex-ministro-adjunto para a Segurança Pública do governo chinês antes de ser nomeado como dirigente máximo da Interpol em novembro de 2016, assinala o jornal de Hong Kong.

No comunicado oficial não são indicados os motivos da detenção de Meng, nem se teria infringido algumas das normas do Partido Comunista, a forma de a Comissão nacional de supervisão indicar os supostos casos de corrupção que submete a investigação.

Segundo o periódico, em 30 de setembro decorreu uma reunião de altos dirigentes do Partido Comunista chinês na qual o ministro da Segurança Pública, Zhao Kezhi, forneceu detalhes de uma conversa que manteve com Ding Xuexiang, chefe de gabinete do Presidente chinês Xi Jinping, e onde manifestou a urgência em reforçar a vigilância contra a corrupção.

Por sua vez, a mulher do presidente da Interpol disse hoje acreditar que o seu marido estava “em perigo” e pediu à comunidade internacional que intervenha para clarificar o seu paradeiro.

Grace Meng promoveu uma conferência de imprensa num hotel de Lyon, em França, onde se encontra a sede da organização internacional de polícia, para explicar que recebeu duas inquietantes mensagens ‘sms’ do seu marido em 25 de setembro, e desde então não tem notícias suas.

Na primeira mensagem, Meng pedia que “aguardasse a sua chamada”, e mais tarde chegou outro ‘sms’ com um ‘emoticon’ que representa uma situação de perigo, segundo o diário local Le Progrès. A mulher leu uma declaração em chinês e inglês onde também exorta a comunidade internacional a intervir no caso, para que seja desvendado o que aconteceu ao seu marido.

O secretário-geral da Interpol, o alemão Jürgen Stock, pediu ontem à China que clarifique o paradeiro de Meng, que desapareceu pouco após chegar ao seu país. Stock aguarda “uma resposta oficial das autoridades chinesas” que esclareça as preocupações que suscitou o desaparecimento de Meng, que segundo a imprensa do seu país estaria detido e sob investigação, uma informação que acabou por ser confirmada.

A procuradoria de Lyon abriu na sexta-feira uma investigação sobre o desaparecimento de Meng, que segundo diversos media de Hong Konh estaria a ser investigado como antigo responsável do governo chinês e poderá ter sido vítima de uma purga interna do regime.

Apesar de ser um cargo essencialmente honorífico, a designação de Meng foi muito criticada por organizações de defesa dos direitos humanos.

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