Frederico Varandas não tem propriamente primado pelas muitas intervenções públicas desde que tomou posse como presidente do Sporting, a 9 de setembro, mas tenta ir “arrumando a casa” com o passar das semanas ao mesmo tempo que se retomam práticas que se tornaram hábitos no passado recente. Uma delas passa pela homenagem a antigas figuras do clube. No caso de Chana, por exemplo, a ação teve um enorme impacto no universo verde e branco com a recordação daquele que foi dos melhores jogadores de sempre de hóquei em patins antes do dérbi com o Benfica que abriu o Campeonato; com Luís Boa Morte, a história foi outra. E esse momento que se deveria realizar no intervalo do jogo com o Arsenal não aconteceu.

Nascido em Lisboa, o extremo esquerdo começou no Arrentela, passou pelos leões, foi dispensado, deu nas vistas ao serviço do Cova da Piedade e regressou a Alvalade a tempo de ser ainda campeão de juniores. Na altura, e quando não existiam ainda as equipas B, Boa Morte passou para o clube satélite verde e branco, o Lourinhanense, e caiu no goto do Arsenal que, através de algumas observações ao vivo entre vários conselhos favoráveis, apresentou uma proposta a rondar os dois milhões de euros e levou mesmo o internacional pelas camadas jovens. Campeão nos gunners de Wenger, o ala passaria depois por Southampton, Fulham (onde ganhou a Segunda Liga) e West Ham, antes de deixar Inglaterra e passar por clubes como os gregos do Larissa ou os sul-africanos do Orlando Pirates. Em 2013, acabou a carreira no Chesterfield.

Luís Boa Morte com Ronaldo e Figo, na preparação para o Campeonato do Mundo de 2006 (FRANCISCO LEONG/AFP/Getty Images)

Como treinador, e depois da passagem pelos Sub-16, o antigo internacional português foi adjunto da equipa B do Sporting e técnico principal dos juniores verde e brancos. Quando saiu, ficou como observador do Arsenal, assumiu o comando do Sintrense e encontra-se agora, aos 41 anos, nos Sub-23 do Portimonense. Aproveitando a presença dos britânicos em Alvalade, e tendo em conta que é um dos raríssimos jogadores a atuar nos dois conjuntos (outro é o guarda-redes Viviano, que não foi utilizado em Londres e não se estreou ainda pelos leões), deveria ser homenageado. Não foi.

A decisão estava longe de ser unânime, como se percebia em alguns comentários que iam surgindo nas redes sociais. Em paralelo, começaram a circular notícias que davam conta da possibilidade de haver cancelamento e o jornal Sol avançou com a informação, citando fonte da claque Juventude Leonina, de que poderiam existir assobios caso o ato viesse a acontecer. O facto do filho do antigo extremo jogar nos benjamins Benfica era uma das razões invocadas, mas haveria outras como as afirmações menos “simpáticas” que tivera com elementos da estrutura verde e branca e elogiosas com o rival. Do lado do Sporting, não houve qualquer informação oficial a anunciar a homenagem, que acabou mesmo por não se realizar esta noite.