Fraude

Presidente do grupo Nissan Renault Carlos Ghosn detido por suspeita de fraude fiscal

162

O executivo Carlos Ghosn foi detido por suspeitas de fraude fiscal e uso de dinheiro e recursos da empresa para fins pessoais. Investigação na empresa, após uma denúncia, durava há vários meses.

Carlos Ghosn, que já ganhou distinções como melhor executivo do mundo, enfrenta agora uma investigação por alegada fraude.

AFP/Getty Images

Autor
  • Helena Cristina Coelho

O presidente do conselho de administração do grupo Nissan Renault, Carlos Ghosn, foi detido no âmbito de uma investigação das autoridades japonesas por alegada fraude fiscal, anunciou líder da empresa automóvel, Hiroto Saikawa, em conferência de imprensa. A detenção de Ghosn e de outro executivo da empresa concretizou-se esta segunda-feira, após uma denúncia que levou a empresa a iniciar uma investigação interna há vários meses por suspeita de “más práticas”.

De acordo com vários meios de comunicação japoneses, os procuradores locais já fizeram buscas nos escritórios de Ghosn na sede da empresa em Tóquio e em mais locais. Em causa estará o uso indevido de dinheiro e de rescursos da companhia para fins pessoais e falhas na declaração de rendimentos de Carlos Ghosn ao fisco japonês. De acordo com estimativas avançadas hoje, o valor de rendimentos não declarados soma cerca de 44 milhões de dólares (cerca de 38,5 milhões de euros) desde 2011, mas esses números ainda não foram confirmados oficialmente.

Em conferência de imprensa esta segunda-feira, e já depois de serem divulgadas as primeiras notícias, Hiroto Saikawa voltou a lamentar a situação envolvendo um dos seus principais executivos e admitiu que as más práticas já ocorressem “por um longo período”.

Sinto-me desiludido, indignado e magoado. E à medida que formos divulgando mais detalhes sobre o caso, estou certo de que as pessoas irão sentir o mesmo que eu”, confessou o presidente-executivo da Nissan.

Na sequência destas investigações, o grupo automóvel pondera a destituição do executivo dos cargos de chairman e da direção executiva da Renault. A própria empresa confirmou entretanto que já estava a investigar as suspeitas de más práticas do seu gestor há alguns meses, depois de uma denúncia ter alertado a empresa e, posteriormente, as autoridades, para a “má conduta” de Carlos Ghosn e de quem trabalhava mais de perto com o executivo.

A Nissan emitiu logo um comunicado a pedir desculpa por estes incidentes e no qual acusa o executivo e o seu representante, Greg Kelly, de “grave má conduta”. A empresa diz mesmo que os dois homens, durante anos, declararam valores inferiores dos salários recebidos por Ghosn, a que se juntam vários outros atos de má conduta, entre os quais destacam o uso indevido de recursos da companhia para fins pessoais.

De melhor do mundo a suspeito de fraude

Carlos Ghosn, de nacionalidade brasileira, francesa e libanesa, é conhecido no meio empresarial como um gestor carismático, com um estilo feroz e altamente eficiente, em especial na redução de custos, métodos que o ajudaram a dar a volta a um grupo automóvel em queda. Algo que também conseguiu à custa de de milhares de despedimentos e fecho de fábricas no Japão e na Europa.

Apesar de controverso e impopular, esse estilo não só o fez ganhar distinções e títulos de melhor executivo do mundo, como o rotulou como absolutamente “indispensável” na gestão do grupo – conseguiu mesmo o que muitos acharam ser impossível: gerir duas grandes empresas, Nissan e Renault, a partir de dois pontos diferentes do planeta. Quando a aliança das duas marcas automóveis voltou a ter lucro, a reputação de Ghosn ganhou uma nova aura: um em cada nove carros vendidos no mundo inteiro têm o carimbo da empresa, a sexta maior fabricante automóvel do mundo.

Esta investigação, contudo, está a causar ondas de choque e indignação na indústria automóvel mas também a gerar um forte impacto negativo na própria empresa. Desde o início na manhã desta segunda-feira, as ações da Renault já caíram mais de 6%, atingindo o valor mais baixo dos últimos três anos.

A maior preocupação do líder da empresa, conforme referiu Saikawa na mesma conferência de impresa, é tentar “estabilizar a situação e normalizar as operações e o trabalho diário”, tanto para os funcionáros do grupo como para os seus parceiros.

    Se tiver uma história que queira partilhar ou informações que considere importantes sobre abusos sexuais na Igreja em Portugal, pode contactar o Observador de várias formas — com a certeza de que garantiremos o seu anonimato, se assim o pretender:

  1. Pode preencher este formulário;
  2. Pode enviar-nos um email para abusos@observador.pt ou, pessoalmente, para Sónia Simões (ssimoes@observador.pt) ou para João Francisco Gomes (jfgomes@observador.pt);
  3. Pode contactar-nos através do WhatsApp para o número 913 513 883;
  4. Ou pode ligar-nos pelo mesmo número: 913 513 883.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Mulher

A filha do feminismo

Daniela Silva

O insólito, inédito fardo que recai sobre a mulher exige repensar as prioridades valorizadas em sociedade e desafiar o paradigma igualitário que tem inspirado escolhas privadas e orientações políticas

Crónica

Na Caverna da Urgência

António Bento

A principal queixa do homem contemporâneo é a de uma permanente e estrutural sensação de «falta de tempo». Há uma generalização da urgência a todos os domínios da experiência e da existência moderna.

CDS-PP

O governo merece uma censura /premium

João Marques de Almeida

Se o Presidente, o PM e os partidos parlamentares fossem responsáveis e se preocupassem com o estado do país, as eleições legislativas seriam no mesmo dia das eleições europeias, no fim de Maio. 

Arrendamento

A coisa /premium

Helena Matos

Programas para proprietários que antes de regressarem à aldeia entregam ao Estado as suas casas para arrendar. Torres com 300 apartamentos. O arrendamento tornou-se na terra da intervenção socialista

Médicos

Senhor Dr., quanto tempo temos de consulta?

Pedro Afonso

Um dos aspetos essenciais na relação médico-doente é a empatia. Para se ser empático é preciso saber escutar. Ora este é um hábito que se tem vindo a perder na nossa sociedade, e nas consultas médicas

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)