Cristiano Ronaldo deveria ser o principal favorito à conquista da Bola de Ouro na próxima segunda-feira, de acordo com as conclusões de mais um estudo realizado pelo Observatório do Futebol da Universidade Europeia que construiu um modelo de perfil-tipo do vencedor do galardão atribuído pela revista francesa France Football através dos resultados apurados nas últimas 14 edições. Já Luka Modric, apontado por todos como o mais do que provável vencedor do troféu em 2018 depois de já ter ganho o “The Best”, surge apenas em nono lugar perante os mesmos dados de avaliação do trabalho.

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Atendendo a todas as variáveis que costumam decidir a escolha do vencedor da Bola de Ouro, o estudo do Observatório do Futebol compara o rendimento e prestação futebolística das últimas 14 edições para construir o modelo de perfil-tipo do jogador que ganha o troféu e comparar esses mesmos dados com o que se passou neste ano de 2018. Logo à partida, existem duas variáveis que distinguem os primeiros classificados – golos nas competições europeias e classificações nessas provas.

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De 2005 para cá, Fabio Cannavaro, vencedor da edição em 2006, é o único eleito que foge a essa tendência: não marcou nenhum golo nas competições europeias nem conseguiu chegar às meias-finais (quartos pela Juventus), concentrando assim a justificação dessa escolha no facto de ter capitaneado a vitória da seleção de Itália no Mundial realizado na Alemanha, derrotando a França no desempate por grandes penalidades. Existiram mais 13 variáveis em equação mas que, cruzando todos os dados, não costumam ter um peso determinante na escolha, a saber: golos na liga nacional; assistências na liga nacional; liga de origem; troféus; jogos nas competições europeias; jogos na liga nacional; classificação na liga nacional; jogos na seleção; assistências na seleção; assistências nas competições europeias; posição; classificação na seleção; e golos na seleção.

De acordo com os resultados apurados pelo estudo, 62% das Bola de Ouro foram conquistadas por jogadores que, nesse ano, ganharam as competições europeias de clubes. No caso do português Cristiano Ronaldo, ganhou a Liga dos Campeões em quatro dos seus cinco triunfos na distinção da France Football (80%), mais um do que Lionel Messi, que venceu a Champions em três das cinco ocasiões em que conseguiu vencer o troféu (60%). Mas existe ainda uma outra tendência que sai do modelo de perfil-tipo do vencedor, que é o vencedor marcar cada vez mais golos nas provas organizadas pela UEFA. Os dois melhores registos neste capítulo pertencem ao agora avançado da Juventus, que apontou 17 golos em 2014 na Liga milionária e 16 em 2016; na última temporada, CR7 chegou à fasquia dos 15 golos… aos 33 anos.

Após a quarta Champions nos últimos cinco anos no Real, Ronaldo foi para a Juve e já bateu recordes (MARCO BERTORELLO/AFP/Getty Images)

A título de curiosidade, e olhando para as duas variáveis que mais peso tiveram na decisão dos últimos 14 anos, o melhor ano de Cristiano Ronaldo, em 2014, onde ganhou a Liga dos Campeões sendo também o melhor marcador com 17 golos, permitiu ao português ganhar com bem mais do dobro de votos do que Lionel Messi (37,7%-15,8%); em contrapartida, o argentino que fez 12 golos na Champions que ganhou pelo Barcelona em 2011 terminou com bem mais do dobro de votos do que o português também nesse ano (47,9%-21,6%). Nas últimas dez épocas, os dois avançados repartiram entre si a Bola de Ouro e também a liderança da lista de melhores marcados na principal competição europeia de clubes; antes dessa década de domínio da dupla, Kaká conquistou o troféu em 2007, ano em que ganhou a prova pelo AC Milan e foi também o jogador com mais golos.

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Olhando para os desempenhos do capitão da Seleção Nacional, existe um outro dado curioso: a primeira vez em que ganhou a Liga dos Campeões, em 2008, foi apenas o oitavo melhor registo do avançado a nível de golos europeus por temporada, pesando aí sobretudo o facto de ter conquistado a final da competição em Moscovo frente ao Chelsea nas grandes penalidades. Ao mesmo tempo, a versão 2018 entra no top 3 dos melhores desempenhos do português na última década, superando outros anos em que ganhou a Bola de Ouro como os de 2013 e 2017 (onde acabou em ambos com 12 golos).

Assim, e entre as duas variantes que tiveram um peso decisivo nos últimos 14 anos apurados pelo estudo, Cristiano Ronaldo terminaria na primeira posição, ficando o resto do pódio para outros dois avançados: Mohamed Salah, do Liverpool (finalista vencido da Liga dos Campeões, com o egípcio a apontar dez golos), e Antoine Griezmann, do Atl. Madrid (que ganhou a Liga Europa com seis golos, mais dois na fase de grupos da Champions, além do triunfo no Mundial de seleções). Lionel Messi, Harry Kane, Kylian Mbappé, Eden Hazard e Kevin De Bruyne surgem nas posições seguintes, à frente do mais do que provável vencedor da Bola de Ouro de 2018, Luka Modric, que neste modelo de perfil-tipo surge apenas no nono lugar por ter ganho a Liga dos Campeões no Real Madrid com apenas um golo apontado (além de ter sido finalista vencido no Mundial de seleções).

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Acrescente-se também que, desde 2005, houve apenas cinco jogadores que não eram nem médios ofensivos nem avançados no pódio em cada uma das edições da Bola de Ouro: Steven Gerrard em 2005; Fabio Cannavaro e Ginaluigi Buffon em 2006; Xavi em 2009, 2010 e 2011; e Manuel Neuer em 2014. Três deles foram também destaques nos respetivos Mundiais ganhos por cada uma das suas seleções – Itália em 2006, Espanha em 2010 e Alemanha em 2014. Modric poderá ser agora o sexto e, tal como aconteceu com o defesa transalpino em 2006, logo na primeira posição.