Esta segunda-feira é um dia decisivo para a operação de resgate de Julen. O túnel paralelo àquele em que a criança de dois anos caiu no passado domingo, dia 13, deve ficar concluído nas próximas horas. Quando estiver terminado, entrará em ação uma equipa de escavadores para iniciar o último passo: a escavação, feita à mão, de uma galeria horizontal que irá ligar os dois túneis e permitir que se chegue finalmente ao pequeno Julen. Uma operação delicada, que deve demorar mais de 24 horas e que se prevê que termine na terça-feira.

A equipa que vai escavar um túnel horizontal será transportada num elevador feito à medida para este plano de resgate. Com um metro de diâmetro e três de altura, o aparelho já se encontra no local, em Totalán, Málaga, e deve ser utilizado assim que o túnel paralelo atingir os 60 metros de profundidade (veja as primeiras imagens do elevador aqui). Os escavadores destacados para esta operação são especialistas neste tipo de resgates e, uma vez transportados, vão escavar à mão um buraco que permita chegar ao local onde se acredita que esteja Julen.

Esta parte do processo exige muita minúcia e precisão para não provocar desabamentos no túnel em que se encontra o bebé. Para isso, a escavação será feita à mão, com recurso apenas a picaretas e, no limite, a martelos pneumáticos. Não mais do que isso, já que os riscos de derrocada são demasiado elevados. A galeria horizontal terá apenas três metros mas levará cerca de 24 horas a estar concluída.

Inicialmente, as equipas envolvidas na operação acreditavam que seria possível chegar à criança de dois anos ainda esta segunda-feira. Mas as dificuldades encontradas durante a escavação, sobretudo devido ao terreno rochoso, atrasaram o processo. Algo para o qual as autoridades já tinham alertado. “Não sabemos o que vamos encontrar”, avisou Ángel García Vidal, o engenheiro responsável pela coordenação dos trabalhos de resgate, antes de darem início a esta operação.

Pelo caminho, os mineiros encontraram muitas massas rochosas de ardósia, atrasando em quase um dia a previsão inicial. “Esse é o motivo pelo qual em determinados momentos a velocidade está a ser mais lenta e a operação se tem atrasado”, explicou García ao jornal El Español.

Mas não foram os únicos obstáculos. Já na sexta-feira, quando parte da maquinaria tentava chegar ao local, a inclinação do terreno obrigou as equipas a desbastar a encosta para que as máquinas necessárias para dar seguimento ao resgate pudessem aproximar-se do local em que se encontra Julen.

Nos últimos dias, as equipas de resgate encontraram cabelo e restos biológicos que, após testes de ADN, se confirmaram pertencer à criança. Na quinta-feira, uma câmara usada para verificar esgotos foi colocada no túnel, mas as autoridades só conseguiram chegar até aos 73 metros de profundidade, não tendo sido possível visualizar a criança de dois anos.

Os pais da criança estão no local, numa casa cedida por uma habitante da zona, para se encontrarem perto do teatro das operações. Têm recebido visitas de familiares, amigos e apoio da população e têm tido acompanhamento psicológico desde o primeiro momento. Em 2017, o casal perdeu um filho, Oliver, devido a um problema cardíaco.