Rádio Observador

Assalto em Tancos

General cita Diácono Remédios para responder a paródia sobre Tancos: “Não havia ‘nexexidade'”

119

"Como diria outro humorista da nossa praça na figura do Diácono Remédios, 'não havia nexexidade'", respondeu o antigo chefe do Estado-Maior do Exército na comissão de inquérito sobre Tancos.

João Manuel Ribeiro/Global Imagens

Autores
  • Agência Lusa

Durante a comissão parlamentar ao furto de material em Tancos, o general Carlos Jerónimo, antigo chefe do Estado-Maior do Exército, defendeu o coronel David Teixeira Correia, depois de este ter sido alvo de uma paródia no programa de Ricardo Araújo Pereira. A rábula do humorista tinha como tema central o facto de o coronel David Correia por ter dito que, mesmo sabendo que o sistema de videovigilância já não estava a funcionar, os militares mantinham a norma de tirar e pôr a cassete de um gravador que já não funcionava.

Carlos Jerónimo defendeu o coronel citando o “Diácono Remédios, uma personagem criada pelo humorista Herman José: “Não havia ‘nexexidade'”. 

No seu programa “Gente que não sabe estar”, Ricardo Araújo Pereira utilizou várias vezes as declarações do coronel David Teixeira Correia durante outra audição para mostrar como é que os planos de segurança não estariam bem definidos e que para assaltar os Paióis Nacionais de Tancos “basta um tipo que tenha uma tarde livre e um carrinho de mão”.

Na resposta, Carlos Jerónimo começou por criticar “o silêncio ensurdecedor de algumas entidades” face a este episódio. Depois, utilizou outro episódio humorístico para comentar a paródia de Ricardo Araújo Pereira: “Sou totalmente a favor da liberdade de expressão. Contudo, penso que neste caso, como diria outro humorista da nossa praça na figura do Diácono Remédios, ‘não havia nexexidade'”, disse o general durante a comissão parlamentar.

O sistema de videovigilância aos paióis começou a funcionar com falhas em 2006, segundo afirmou João Luís de Sousa Pires, comandante da Unidade de Apoio Geral de Material do Exército (UAGME), e foi considerado inoperacional em 2012 e, um ano depois, em 2013, obsoleto. Em 2016, foram alteradas as normas de procedimentos, mas o tenente coronel Sousa Pires explicou que não foram alteradas “porque se aguardava a reparação do sistema” de videovigilância e, quando tal acontecesse, era também substituído o anexo em que era referida necessidade de tirar e pôr a cassete vídeo.

Furto das armas? Houve “conivência lá de dentro”

No decorrer da comissão Carlos Jerónimo admitiu também que o furto de material de guerra pode ter ocorrido com “conivência” do interior. “Não sei como foi o roubo. Para mim, tal como na arrecadação dos comandos, tem de haver conivência lá de dentro. Não estou a afirmar”, disse o general na reserva, que comandou o Exército entre 2014 e 2016.

Ouvido durante mais de três horas, o general acrescentou: “Como é que desapareceram as `Glock´ da polícia? Com conivência lá de dentro. Quando o pilha-galinhas está dentro da capoeira… ‘pfff’”.

Numa intervenção inicial, o general disse que assumiu sempre as suas responsabilidades, ideia que desenvolveu mais à frente na audição ao demarcar-se da decisão do seu sucessor Rovisco Duarte de exonerar cinco comandantes das unidades em redor de Tancos para permitir averiguações.

“Não quero crucificar o meu sucessor, mas nunca vi em 43 anos de serviço afastar alguém para fazer investigações”, afirmou.

Já na intervenção inicial tinha afirmado que andou sempre “no fio da navalha” e que não é “como certos figurões que aparecem na televisão e dizem que estão de consciência tranquila quando todos sabem que mentem”, sem, contudo, apontar nomes.

Durante a audição, o general disse que não queria “arengar sobre Tancos”, mas aproveitar para chamar a atenção para “problemas gravíssimos do Exército”, sendo o principal a falta de efetivos. Questionado pelo CDS-PP, o general defendeu que é necessário manter os paióis nacionais de Tancos, observando que “apenas dez por cento das munições” armazenadas em Tancos foram transferidas para Santa Margarida.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019 e é prorrogável por mais 90 dias.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)