O ex-presidente da Caixa Económica Montepio Geral, Tomás Correia, foi condenado pelo Banco de Portugal por irregularidades graves quando estava na gestão do banco. A notícia foi avançada pelos jornais Público e também pelo Expresso e confirmada pelo Observador.A multa aplicada ao ainda presidente da associação mutualista é de 1,25o milhões por sete ilícitos.

A instituição financeira, que passou a chamar-se Banco Montepio, foi também condenada no âmbito destes processos, o que valeu uma coima de 2,5 milhões de euros. Segundo o Expresso, as coimas totais aplicadas pelo Banco de Portugal nestes processos ascendem a 4,9 milhões de euros.

Em causa estão processos de contraordenação por falhas no sistema de controlo interno do banco que foi liderado por Tomás Correia até 2015, em particular nas regras de concessão de financiamentos e de análise de risco.

Uma das operações que não cumpriu as regras envolverá o empréstimo concedido pelo Finibanco Angola, participado por Montepio, ao filho do construtor José Guilherme, dinheiro que terá sido usado para compra de unidades de participação do próprio banco num aumento de capital realizado pelo Montepio. José Guilherme foi o empresário que entregou 14 milhões de euros a Ricardo Salgado quando este era presidente do Banco Espírito Santo, alegadamente uma oferta (liberalidade) por conselhos dados.

Segundo o Público, o Banco de Portugal terá aplicado multas a mais sete antigos membros da administração do banco. Os visados foram notificados destas condenações esta quinta-feira, garante o jornal. O Observador está a tentar confirmar a informação junto do Banco de Portugal e da Associação Mutualista Montepio presidida por Tomás Correia e cuja supervisão passou para a Autoridade dos Supervisor dos Seguros e Fundos de Pensões o ano passado.

Tomás Correia abandonou a gestão da então caixa económica no quadro de uma reorganização do grupo Montepio imposta pelo supervisor bancário que fez a separação operacional e de gestão entre a então caixa económica e a associação mutualista. Na altura, em 2015, já eram conhecidas investigações do Banco de Portugal no quadro de uma auditoria forense iniciada em 2014, pelo que a continuação do gestor nos órgãos sociais do banco, que chegou a estar prevista, terá sido já travada pelo supervisor bancário no quadro destes processos.

A caixa económica passou a chamar-se Banco Montepio e atualmente é presidida por Carlos Tavares, que é chairman, tendo como presidente executiva Dulce Mota.

Mas Tomás Correia manteve-se à frente da associação mutualista que controla o banco, vencendo as eleições do ano passado apesar de muitas acusações feitas pelos seus adversários às decisões que tomou enquanto responsável pela caixa económica por mais de dez anos. Na altura, o presidente da associação mutualista desvalorizou as investigações, tendo chegando a afirmar que não acreditava em condenações.

“Não tenho nenhuma intranquilidade sobre essa matéria, não acredito que haja qualquer condenação seja qual for. Não acredito que haja elementos que se traduzam em aplicar de uma condenação a mim próprio”.

Segundo a TSF, que cita fonte do Montepio, Tomás Correia e os restantes visados pela condenação ainda não foram notificados da decisão do Banco de Portugal.