O dia começou cedo, com muitos voluntários civis a reunirem-se perto dos postos fronteiriços que separam a Venezuela da Colômbia, em Cúcuta. Tinham esperança de poder assistir à passagem de vários camiões com toneladas de comida e medicamentos, a ajuda humanitária vinda dos Estados Unidos prometida por Juan Guaidó, o autoproclamado Presidente interino da Venezuela.

Mas não foi isso que acabou por acontecer. O dia foi marcado por várias deserções de militares e polícias que se juntaram à oposição do regime (um total de 23, segundo os números do Governo colombiano), mas não em número suficiente para deixar as fronteiras desimpedidas. As autoridades venezuelanas não abriram os cordões militares junto às fronteiras e reagiram com gás lacrimogéneo. A isso somou-se, segundo a oposição, a ação dos colectivos, as milícias de civis pró-Nicolás Maduro, que terão disparado contra civis e feito vários feridos.

Guaidó discursou por duas vezes, primeiro antes da partida dos camiões, depois a meio do dia, quando se tornou mais evidente que os camiões não estavam a conseguir passar. Apelou aos militares para que se juntem “ao lado certo da luta”. Em Caracas, Nicolás Maduro responderia, desafiando-o a convocar eleições. Para além disso, ordenou a saída dos diplomatas colombianos do país.

Para além da tensão na fronteira, dos militares que desertaram, dos líderes políticos e dos feridos, fica ainda uma imagem a marcar o dia: a dos camiões de ajuda humanitária incendiados, com os civis a tentarem retirar a comida e os medicamentos que seguiam a bordo para os manter a salvo.

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