O líder da bancada parlamentar do PSD chegou de autocarro acompanhado por mais de uma dezena de deputados e foi recebido por António Oliveira e Silva, presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João. Durante 45 minutos, visitou pela primeira vez a ala pediátrica desta unidade de saúde, de onde saiu “pessoalmente indignado”. Fernando Negrão considera este um local “onde as condições são péssimas porque as crianças são tratadas em contentores e onde uma situação que era provisória se prolonga já há 9 anos”.

Relativamente às datas apontadas pelo ministério da Saúde, de avançar com as obras do novo espaço no final deste ano e no início de 2020, Negrão diz ter “algum ceticismo”, uma vez que já viu “várias datas serem anunciadas e todas foram ultrapassadas”. “Basta de adiamentos, estas crianças não podem esperar mais”, sublinha.

O líder parlamentar dos sociais democratas recordou que “a primeira ideia do governo era a abertura de um concurso internacional, uma solução que levaria anos”, aproveitando para fazer duras críticas ao executivo de António Costa.  “O anterior governo governou sob um programa imposto pela troika e assinado pelo PS”, o atual já se encontra no poder há quatro anos, portanto, é dele “a grande responsabilidade”.

Este governo não tem nenhum programa que condicione a sua atuação, o que quer dizer que, ao contrário do anterior, tem toda a liberdade e toda a margem para já ter resolvido este problema e não o fez. Não tinha limitação nenhuma e não o quis fazer. Quando o quis fazer fez mal, através de um concurso internacional.”, atirou.

Negrão realçou o facto desta unidade se destinar a crianças com problemas oncológicos não só do Porto, mas “de toda a região do norte do país”, afirmando que “há falta de dois funcionários para que mais três camas funcionem”, sendo que estas representam “mais três crianças”. Essas duas pessoas “viriam ganhar à volta do ordenado mínimo nacional e há anos que se tenta e não se consegue pô-las a trabalhar”, concluiu.

Reagindo à notícia que dá conta da contratação de médicos de família pediatras portugueses na Galiza, com oferta do dobro do salário, Negrão afirma que “um dos problemas da saúde hoje é a falta de profissionais” e que vê este cenário “com uma enorme preocupação”.

“Todos procuramos melhores condições de vida, os médicos fazem o mesmo. Os espanhóis tiveram essa iniciativa e nós temos que estar muito atentos porque não podemos deixar sair médicos do Serviço Nacional de Saúde”. Para Fernando Negrão as soluções passam por “um quadro diferente de remuneração” destes profissionais que “tem de começar a ser pensado”.

Depois de visitar o Instituto Português de Oncologia do Porto, que esta semana foi notícia por impedir a filha de estar com a mãe em fase terminal, o deputado do PSD teve uma reunião com a administração do estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos.  À saída afirmou que este “é um bom exemplo” pois encontrou através de uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia do Porto uma forma de “assegurar consultas médicas, um enfermeiro 24 horas e até a presença de um dentista” a reclusas. Negrão salienta que esta é uma solução que “pode ser replicada” e não ficou indiferente aos últimos acontecimentos na prisão de Paços de Ferreira. “Podíamos ter escolhido o pior e o que corre mal no sistema prisional, mas viemos visitar um bom exemplo”, disse, acrescentando que “temos assistido a situações inaceitáveis que não se podem repetir”. O líder laranja fez ainda referência ao novo diretor geral daquele serviço prisional, Rómulo Mateus, esperando que “esteja tão ou mais preocupado que nós”.