Esteve 30 anos no cargo de presidente executivo da Ryanair, envolveu-se numa polémica em relação aos sindicatos e greves, abdicou de um bónus salarial de um milhão de euros e agora está de saída. Tudo para “recuperar” a reputação da companhia aérea irlandesa. Michael O’Leary anunciou esta sexta-feira, em declarações ao Financial Times (acesso restrito), que vai abandonar a direção executiva da Ryanair e, ainda este ano, ficar encarregue da gestão da Ryanair Holdings, com a função de supervisionar a companhia e as suas filiais austríaca, polaca e britânica.

O’Leary assumiu a responsabilidade em algumas das polémicas que prejudicaram a imagem da companhia irlandesa e é por essa mesma razão que decidiu deixar o cargo. “Um dos pontos negativos da Ryanair é a sua associação a mim. Sou um alvo fácil. Boa parte da imagem negativa atribuída à Ryanair deve-se a algo estúpido que disse há 25 anos”, referiu. Em causa estão as polémicas do gestor na sua posição face ao papel dos sindicatos e às greves na empresa, onde chegou a dizer que “o inferno iria congelar” antes de a Ryanair reconhecer os sindicatos de aviação.

No novo cargo que vai ocupar, O’Leary vai supervisionar os presidentes executivos das quatro empresas filiais da Ryanair: a da companhia irlandesa, a da Laudamotion (Áustria), da Ryanair Sun (Polónia) e da Ryanair UK (Reino Unido). Será ele quem vai decidir sobre oportunidades de fusões e aquisições e custos e compra de aviões.

Segundo O’Leary, a decisão foi tomada como uma oportunidade para “recuperar” a reputação da transportadora aérea. “O que precisamos de fazer para o próximo ano, certamente ao longo deste ano, é calarmo-nos e trabalhar”, argumentou o gestor, acrescentando que antes foi passado demasiado tempo a falar sobre os sindicatos e outros assuntos. “E não tínhamos tempo suficiente para trabalhar”.

No último trimestre do ano passado a Ryanair teve um “desapontante” prejuízo de cerca de 22 milhões de euros, num resultado que não conseguiu ultrapassar os 113 milhões de euros em lucro no período homólogo de 2017. Ainda este ano, a companhia aérea reviu em baixa a previsão de lucros para o seu ano fiscal de 2018, perante a possível quebra de 7% nas vendas durante a temporada de inverno.