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Missão a Mercúrio permite perceber melhor a formação de planetas como a Terra

"Não há informação suficiente na Terra, porque é demasiado ativa", diz um dos cientistas. A missão conta com a cientista Joana Oliveira e das empresas Efacec e Active Space Technologies.

LAURENT GILLIERON/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Uma missão das agências espaciais europeia e japonesa a Mercúrio, um planeta que ainda é um grande mistério, vai permitir perceber melhor a origem e evolução de planetas como a Terra, afirmou esta quinta-feira, em Coimbra, um dos coordenadores científicos. “Nós não percebemos muito bem a origem da Terra. Não há informação suficiente na Terra, porque é demasiado ativa e Mercúrio, que é como a Terra, ainda tem informação sobre o passado. A informação que iremos recolher é importante também para perceber a origem, a formação e a evolução de planetas como a Terra”, disse esta quinta-feira o coordenador científico da equipa japonesa, Go Murakami, que falava aos jornalistas no âmbito da passagem do projeto por Coimbra, onde realiza um ‘workshop’ de três dias com jovens cientistas.

A BepiColombo, uma missão conjunta da agência espacial europeia (ESA) e da agência espacial japonesa JAXA, arrancou em outubro de 2018 e deverá demorar 7 anos até chegar a Mercúrio, um planeta que continua a ser uma grande incógnita. “A Terra tem um campo magnético, que consegue ser uma barreira contra o vento solar. Sem barreira, pode ficar afetado o ambiente do planeta. Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol, tem um campo magnético fraco e não conseguimos perceber como consegue funcionar contra um vento solar tão forte”, salientou Go Murakami, tendo como expectativa que os dados recolhidos nesta missão possam ajudar a responder a várias das perguntas sobre aquele planeta do sistema solar.

Segundo o cientista japonês, a atual missão assume várias vantagens relativamente à última realizada em Mercúrio (pela agência americana NASA), em que a sonda MESSENGER esteve em órbita de Mercúrio durante quatro anos, entre 2011 e 2015. Para além de serem duas sondas – o que aumenta as probabilidades de sucesso -, a sonda japonesa está “completamente dedicada” ao estudo do ambiente do planeta.

“Só temos 7 anos para conseguir perceber que medidas precisamos para resolver o ‘puzzle’, o incógnito de Mercúrio. É um mistério. Ninguém percebe, por exemplo, porque é que ainda há um campo magnético de origem no núcleo de Mercúrio, tal como acontece na Terra”, salientou Joana Oliveira, cientista formada na Universidade de Coimbra e que participa no projeto, estando a realizar um pós-doutoramento na ESA. Com esta missão, explicou, espera-se “ter muitos mais dados e avançar muito mais” no conhecimento sobre Mercúrio.

Para além do conhecimento sobre Mercúrio, a missão também é importante pelos dados que recolhe no caminho de 7 anos até ao planeta, constatou Nuno Peixinho, astrónomo do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra, onde decorre o ‘workshop’. De acordo com o cientista, serão importantes os dados sobre a meteorologia espacial, que afeta e influencia os satélites, fundamentais para muita da tecnologia atual.

Para além da participação da cientista Joana Oliveira na missão, o projeto contou ainda com a colaboração das empresas portuguesas Efacec e Active Space Technologies. Segundo Nuno Peixinho, cada vez mais Portugal “envolve-se nestes projetos espaciais”, esperando que nos 7 anos de viagem até Mercúrio mais cientistas portugueses se juntem a Joana Oliveira na equipa.

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