O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse esta terça-feira que “ama Israel”, durante a visita que realizou ao Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Jerusalém. Não foi esta a sua única frase que está a causar polémica. O chefe de estado brasileiro, que está em visita oficial a Israel desde domingo, disse refutou a opinião do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o nazismo é de esquerda.

“O senhor concorda com o seu chanceler de que o nazismo foi um movimento de esquerda?”, perguntou um jornalista a Bolsonaro. “Não há dúvida, não é? Partido Socialista, como é que é? Da Alemanha. Partido Nacional Socialista da Alemanha”, respondeu o presidente.

Antes desta pergunta, Bolsonaro liderou uma cerimónia em que acendeu uma tocha e colocou flores na Cripta da Memória criada para prestar homenagem aos seis milhões de judeus que morreram na Segunda Guerra Mundial.

“Aquele que se esquece de seu passado está condenado a não ter um futuro”, escreveu Bolsonaro, no livro de visitas do museu, recordando o extermínio levado a cabo pelo regime nazi. “Hoje fazemos um exame de consciência”, disse o chefe de Estado brasileiro aos jornalistas que o aguardavam, acrescentando estar satisfeito por “volta à Terra Santa”, onde queria transmitir a sua mensagem “como cristão”.

Antes de visitar o memorial, Bolsonaro participou, em conjunto com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, num fórum comercial que reuniu empresários dos dois países, em Jerusalém.

O Presidente brasileiro assegurou que a abertura de uma representação comercial do Brasil em Jerusalém, voltada para os negócios, tecnologia, pesquisa e inovação é uma forma de selar o compromisso do seu país com Israel e que a iniciativa confirma que a aproximação dos dois Estados “veio para ficar”.

Bolsonaro também visitou áreas do território palestino ocupado de Jerusalém Oriental, juntamente com Netanyahu, agenda que motivou muitas críticas da Organização de Libertação da Palestina (OLP). Na próxima quarta-feira, o chefe de Estado brasileiro irá encontrar-se com brasileiros residentes em Israel encerrando esta visita de quatro dias.

Ministro das Relações Exteriores brasileiro afirma que o nazismo é de esquerda

O ministro das Relações Exteriores brasileiro afirmou em 17 de março, numa entrevista ao canal no YouTube “Brasil Paralelo”, que o “fascismo e o nazismo são fenómenos de esquerda”.

“Uma coisa que eu falo muito é dessa tendência da esquerda de pegar numa coisa boa, sequestrar, perverter e transformar numa coisa má. É mais ou menos o que aconteceu com esses regimes totalitários. Isso tem a ver com o que eu digo, que fascismo e nazismo são fenómenos de esquerda”, afirmou Ernesto Araújo.

A entrevista causou polémica, tendo sido criticada por historiadores.

“Quando um ministro do Exterior faz esse tipo de afirmação, considero altamente problemático diplomaticamente e um absurdo cientificamente”, afirmou a historiadora Stefanie Schüler-Springorum, diretora do Centro para Pesquisa sobre Antissemitismo da Universidade Técnica de Berlim, citada pelo jornal Folha de São Paulo.

Ainda segundo a mesma fonte, o historiador Wulf Kansteiner, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, frisou que os nazis não seguiram políticas de esquerda.

“Pelo contrário, propagavam valores da extrema-direita, um extremo nacionalismo, um extremo antissemitismo e um extremo racismo. Nenhum especialista sério considera hoje o nazismo de alguma forma um fenómeno de esquerda. Por isso, da perspetiva académica histórica, essa declaração é uma asneira”, declarou, citado pelo jornal brasileiro.