Pelo menos 70 pessoas morreram e 791 ficaram feridas desde o início das inundações no Irão, em 19 de março, segundo os últimos dados divulgados esta sexta-feira pelos Serviços de Emergência do país. Em declarações à agência de notícias iraniana IRNA, o diretor dos Serviços de Emergência, Pir Hosein Kolivand, indicou que 45 dos feridos permanecem hospitalizados e que as principais províncias que se encontram neste momento em alerta são Cuzistão e Lorestão.

Segundo a mesma fonte, nas cidades das províncias de Pol-e-Dokhtar e Mamulan, sul de Lorestão, uma quarta equipa de operações especiais de emergência foi enviada de Teerão. Hosein Kolivand explicou que, como não há acesso terrestre nessas áreas, está a ser fornecida assistência por via aérea às equipas instaladas no terreno.

O responsável pelos Serviços de Emergência referiu que estão a trabalhar para impedir que as inundações provoquem a propagação de infeções, acrescentando que nenhum surto foi ainda registado no país. O anterior balanço apontava para 62 mortos nas inundações no Irão, segundo a imprensa local, com o chefe do departamento de medicina forense do país a referir que as mortes ocorreram em várias províncias, nas últimas duas semanas.

Na quarta-feira, o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, apelidou de “crime sem precedentes” as sanções norte-americanas que, alegadamente, impedem a assistência humanitária internacional de chegar às pessoas necessitadas em áreas atingidas pelas inundações.

O Irão tem enfrentado desde meados de março grandes inundações e as autoridades locais pediram repetidamente que mais helicópteros fossem enviados para áreas remotas do país.

Os meios de comunicação estatais referiram ainda que as inundações atingiram centenas de aldeias, bem como cidades e vilas na metade ocidental do país. Em algumas partes, o estado de emergência foi declarado.

A decisão norte-americana de impor novas sanções a Teerão surgiu na sequência do abandono pelos Estados Unidos, por iniciativa do Presidente Donald Trump, do acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irão e o denominado grupo dos 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China — mais a Alemanha). O acordo foi negociado para travar o programa de armas nucleares iraniano.