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Tive uma Ideia

ShopAI. Os portugueses que querem pôr as imagens de roupa a falar por nós

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A ShopAI desenvolveu um sistema que permite fotografar uma peça de roupa e encontrar produtos semelhantes em vários sites. A ideia já ultrapassou fronteiras, mas quer conquistar o mercado nacional.

A ShopAI quer ter um botão e um banner em todos os sites do mundo que vendam peças de roupa

Visitar uma loja online de roupa e, em vez de escrever a peça que pretende comprar no motor de busca, usar apenas uma fotografia que tirou para encontrar modelos semelhantes ao que quer. Já lhe passou pela cabeça? A Rui Machado já. A ideia surgiu-lhe em 2014 enquanto participava numa conferência de inteligência artificial em Berlim. Foi por lá que o atual diretor geral da ShopAI deparou com os avanços tecnológicos que estavam a potenciar o desenvolvimento de motores de pesquisa baseados em imagem e não exclusivamente em texto.

Apesar de não ser, à data, uma tecnologia robusta, foi fácil idealizar uma potencial solução comercializável e que pudesse ser aplicada na indústria da moda, o que despoletou uma vontade de continuar esta linha de investigação de uma forma mais estruturada. A partir desse momento surgiu a vontade de iniciar o projeto, embora a sua materialização tenha acabado por acontecer um ano mais tarde”, conta ao Observador.

O impacto das redes sociais nas escolhas e vontades do consumidor foi “um dos grandes fatores” que contribuiu para o arranque da startup, com sede no Porto. Para o responsável, são hoje os influencers ou os amigos que “acabam por promover a procura de t-shirt, calças ou óculos de sol que A, B ou C publicou”. “Descrever por texto uma t-shirt com bolas amarelas ou uma camisa com padrão de dromedários numa loja de roupa online é um desafio e corremos o risco de não a encontrar por uma mera questão semântica (e.g. eu escrevi dromedário, mas a loja descreve-o como um camelo) e desistir da compra”, explica Rui Machado.

Rui Machado, diretor executivo com Hélder Russa, diretor geral e a restante equipa da ShopIA

Em 2015, Hélder Russa, atual diretor executivo da ShopAI, juntou-se a Rui para facilitar a procura de produtos do mercado online. Ambos aproveitaram o mestrado em Data Analytics, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, para “desenhar, implementar e validar” o primeiro protótipo de um motor de pesquisa visual. “E se pudéssemos tirar uma fotografia diretamente no site de uma marca que gostamos e com ela pesquisar o seu catálogo por produtos visualmente similares, sem usar uma única palavra?” Foi esta a premissa de toda a investigação ao longo de dois anos. “Acreditamos que este tipo de abordagem simplificaria todo o processo de chegar ao produto pretendido, reduzindo o esforço cognitivo dos consumidores e provocando um impacto positivo nas taxas de conversão das próprias lojas”, sublinha Rui.

Zando: o investidor que não deu dinheiro, mas uma oportunidade

Os fundadores da ShopAI investiram 5 mil euros no projeto que se centra na pesquisa visual e num banner de recomendações, onde o utilizador abre a página de descrição de um produto e encontra um banner com um conjunto de outros produtos visualmente similares.

Em maio do ano passado, a ShopAI teve o primeiro contacto com a Zando, “uma das maiores empresas online de fashion da África do Sul”, com o objetivo de obter “um feedback mais construtivo num contexto real”, que pudesse mostrar de uma forma concreta a interação dos utilizadores com os serviços da empresa.

Sequência explicativa no site da Zando, onde ao submeter uma fotografia é possível obter produtos visualmente similares

Foi um desafio interessante que veio romper com a noção de que a recomendação se deve basear única e exclusivamente em critérios de associação ‘quem compra isso, compra aquilo’. A nossa oferta não concorre com este paradigma, mas complementa a capacidade de recomendação, sugerindo alternativas similares em quem procura um determinado tipo de produto evitando o abandono da loja por saturação”, explicou

“Vivemos na app dos nossos clientes”

O “sonho” da ShopAI é “ter um botão e um banner em todos sites de roupa do mundo”, tendo como público-alvo “empresas digitais de comércio eletrónico de moda” em qualquer parte do globo. “Não estamos diretamente associados à app, nós vivemos na app dos nossos clientes”, explica Rui Machado. Recentemente a startup conseguiu ter um botão disponível nos sites da Zando, em versão mobile, da Adidas e Reebok na África do Sul e em breve irá trabalhar com a Levi’s e a Fox Racing no mesmo país. Em fase de negociações estão já “duas grandes empresas do cenário económico português e uma em França”, sendo que a aposta futura passa pela parte comercial. “Precisamos de rentabilizar os produtos que desenvolvemos e conseguir uma maturidade que nos permita continuar o processo de inovação que ainda acreditamos ter um potencial enorme”.

Os serviços são direcionados para marcas que comercializem roupa online e que “tenham um catálogo suficientemente rico”. “A curto prazo pretendemos integrar toda a nossa tecnologia em plataformas e-commerce, sendo a Shopify uma das nossas prioridades, para que qualquer marca, independentemente da sua dimensão, possa utilizar o nosso produto através da instalação de uma aplicação, não sendo necessário a nossa intervenção ou qualquer tipo de desenvolvimento à medida.”

Os fundadores da ShopAI pretendem ainda obter melhores resultados com os seus algoritmos, fornecer a possibilidade das marcas acompanharem a evolução dos cliques sugeridos pelas recomendações e até alterar alguns comportamentos do mesmo com a adição de regras de negócio, tudo de uma forma autónoma e sem intervenção técnica. “Acreditamos que a possibilidade de customizar algoritmos de inteligência artificial numa ótica de self-service é o futuro e nós queremos ser pioneiros neste campo.”

Angariar novos investidores e clientes também faz parte das expectativas do grupo. “Estamos agora focados em estruturar a nossa primeira ronda de investimento com vista a atingir uma velocidade de desenvolvimento mais elevada, pela contratação de diversos perfis da área da informática, mas também uma maior presença de mercado com a contratação de perfis comerciais que possam sondar potenciais clientes e atuarem como embaixadores da nossa marca.”

Na ronda de investimento, os empreendedores portugueses procuram 650 mil euros e já candidataram o projeto à Portugal Ventures. O objetivo é que este financiamento ajude a desenvolver o produto, para conseguirem estar presentes nas principais plataformas de e-commerce do mundo, como a Shopify, BigCommerce ou Magento, e para participarem em feiras de moda internacionais na Europa.

*Tive uma ideia! é uma rubrica do Observador destinada a novos negócios com ADN português.

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