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Sri Lanka

O que se sabe e o que falta saber sobre os ataques no Sri Lanka

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Há pelo menos 310 mortos em oito explosões confirmadas. Atentado ainda não foi reivindicado, mas o ataque a igrejas em domingo de Páscoa sugere que há motivações religiosas. Há 13 detidos.

Imagens da destruição no Hotel Shangri-La, um das três unidades hoteleiras atacada

AFP/Getty Images

Ataques bombistas a igrejas e hotéis no Sri Lanka na manhã deste domingo de Páscoa provocaram a morte de 310 pessoas e fizeram pelo menos 500 feridos. Há um português entre as vítimas, que tem perto de 30 anos e estava num dos três hotéis de luxo atacados. Ao todo houve oito explosões, seis ao mesmo tempo (na capital Colombo e em duas outras cidades) e outras duas, horas mais tarde, nas imediações da capital, que terão sido provocadas por fugitivos dos primeiros ataques. O atentado ainda não foi reivindicado e o governo do Sri Lanka bloqueou o acesso às redes sociais e decretou recolher obrigatório.

Confira o que sabe e o que falta saber sobre o ataque no Sri Lanka

O que se sabe:

  • Pelo menos 310 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas em ataques à bomba a igrejas e hotéis no Sri Lanka. Três eram polícias, que morreram enquanto faziam buscas aos atacantes num bloco de apartamentos em Dematagoda, onde decorreu a oitava explosão.
  • Um porta voz do gabinete do Presidente admitiu que os serviços de inteligência do Sri Lanka foram alertados por serviços de inteligência estrangeiros no início do mês, há 14 dias, para um potencial ataque. O chefe nacional da polícia do país, Pujuth Jayasundra, terá enviado um alerta às autoridades a informar que bombistas-suicidas estavam a planear ataques a “igrejas proeminentes”. Ameaça viria de um grupo radical islâmico, o National Thowheeth Jama’ath, mas não foram tomadas medidas. O primeiro-ministro não teve conhecimento do alerta.
  • O Governo avançou na segunda-feira com a suspeita de que teria sido o grupo local islamista  National Thowheed Jama’ath o autor dos atentados.
  • Há um português entre as vítimas. Rui Lucas tinha cerca de 30 anos e estava no Hotel Kingsbury, um dos alvos do ataques. Era natural de Viseu e viajava com a mulher em lua-de-mel. Esta já chegou a Portugal.
  • Há registo de vários mortos estrangeiros, entre os quais americanos, britânicos, indianos, turcos, dinamarqueses, holandeses e chineses. Há 25 corpos de vítimas estrangeiras por identificar.
  • A cônsul portuguesa no Sri Lanka diz que os restantes portugueses no país “estão todos bem” e o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, diz que “não há indícios” de haver mais vítimas portuguesas.
  • A polícia já deteve 40 pessoas relacionadas com os atentados, que terão sido organizados por um só grupo. São todos cingaleses;
  • Na capital Colombo, houve inicialmente ataques à bomba a três hotéis de luxo (Kingsbury Hotel, o Shangri-La e o Cinnamon Grand Colombo) e em uma igreja.
  • Houve ainda ataques a mais duas igrejas em Negombo (a norte da capital, onde há uma forte presença católica) e em Batticalo (leste do país).
  • As seis primeiras explosões terão ocorrido quase em simultâneo quando eram 08h15 no Sri Lanka (quando eram 03h15, em Lisboa).
  • Uma sétima explosão terá ocorrido mais tarde e provocou a morte de mais duas pessoas. O alvo, neste caso, foi um pequeno hotel junto ao Jardim Zoológico de Dehiwala, nos subúrbios da capital Colombo.
  • Uma oitava explosão ocorreu pouco depois, já ao início da tarde, e provocou três mortes, que eram agentes das forças de segurança. A explosão ocorreu numa residência na zona de Colombo quando as autoridades se preparavam para interrogar uma pessoa. O governo do Sri Lanka acredita que estas duas últimas explosões foram perpetradas por atacantes no momento em que fugiam da polícia.
  • Já na segunda-feira, deu-se uma nona explosão, no seguimento de uma detonação controlada. A explosão aconteceu numa carrinha que estava perto da igreja de Santo António, em Colombo.
  • Alguns dos ataque envolveram bombistas suicidas, incluindo o que ocorreu num hotel de Colombo, o Cinnamond Grand, onde o atacante fez check-in na véspera e ativou a bomba quando aparentava servir-se na sala do pequeno almoço.
  • O Governo do Sri Lanka decretou um recolher obrigatório até às 06h00 de segunda-feira (1h30, em Lisboa) e bloqueou o acesso às redes sociais e a aplicações de troca de mensagens. As escolas estão fechadas até quarta-feira, bem como as universidades.
  • O Governo declarou o estado de emergência nacional a partir da meia noite de segunda-feira com o objetivo de combater o terrorismo.
  • Houve um reforço da segurança, mas as autoridades estão a permitir que as pessoas se desloquem até ao aeroporto durante o período de recolher obrigatório. Só têm de mostrar o cartão de embarque. Os viajantes estão a ser aconselhados para ir para o aeroporto pelo menos quatro horas antes das hora dos voos.

O que falta saber

  • Quem são os responsáveis? Ainda não foi reivindicada a autoria do ataque, embora o ministro da Defesa do Sri Lanka fale em “ato terrorista” e tenha atribuído a autoria a “extremistas religiosos” suspeitando do National Thowheed Jama’ath. Todos os detidos até agora eram cingaleses e o país tem sido palco de conflitos entre a maioria budista e as minorias muçulmana e cristã.
  • Governo tinha sido avisado? Segundo a AFP, os serviços de inteligência do Sri Lanka foram alertados por serviços de inteligência estrangeiros no início do mês, há dez dias, para um potencial ataque. O chefe nacional da polícia do país, Pujuth Jayasundra, terá enviado um alerta às autoridades a informar que bombistas-suicidas estavam a planear ataques a “igrejas proeminentes”. Ameaça viria de um grupo radical islâmico, o National Thowheeth Jama’ath, mas não foram tomadas medidas.
  • Aviso da polícia datado de 11 de abril é fake? O Governo começou por falar em “fake news” e negar este documento. No entanto, horas depois o primeiro-ministro confirmou que as autoridades foram avisadas para potenciais ataques, mas que ele não foi informado.
  • Não há mais portugueses feridos? A cônsul portuguesa foi taxativa a dizer que os restantes portugueses no país “estão todos bem”. Já o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, foi mais cauteloso: diz que “não há indícios de outros portugueses” entre as vítimas.
  • Qual o número total de vítimas? O número de mortos e feridos tem vindo a aumentar, uma vez que as explosões também aumentaram. É ainda cedo para saber o número total de vítimas, até porque há centenas hospitalizadas sobretudo na capital Colombo. Nesta terça-feira de manhã a soma ia nos 310 mortos e cerca de 500 feridos.
  • Os ataques tiveram motivação religiosa? Tudo indica que sim, considerando os alvos preferenciais — igrejas cristãs (duas católicas) — e o dia escolhido — a Páscoa. O Sri Lanka tem sido marcado por conflitos religiosos, sobretudo entre a maioria budista e as minorias muçulmana e cristã. As autoridades já admitiram extremismo religioso.

*Em atualização

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