A notícia de que o empresário português Miguel Patrício foi o escolhido para ser o próximo CEO do grupo Kraft Heinz, que detém marcas como o ketchup Heinz ou o queijo para barrar Philadelfia, foi divulgada esta segunda-feira pela empresa. Miguel Patrício vai assumir a liderança do grupo no dia 1 de julho e tem a missão de inverter o rumo de uma empresa que no ano passado registou mais de 10 mil milhões de dólares em prejuízos.
Patrício nasceu em Portugal em 1966, numa família natural de Mação, mas estudou e começou a trabalhar no Brasil. Estava no ramo alimentar desde praticamente o início da sua carreira, tendo passado por empresas como a Coca-Cola, a Johnson & Johnson ou a Philip Morris. Desde 1998, trabalhava no grupo Anheuser-Busch InBev, dono de marcas de cerveja como a Budweiser ou a Stella Artois. Em 2012, assumiu as funções de diretor de marketing daquelas marcas.
“Trago um perfil muito diferente” à empresa, disse Miguel Patrício à estação norte-americana CNBC. O português vai substituir Bernardo Hees, até agora CEO do grupo que resultou da fusão da Kraft Foods com a Heinz, e que tem passado por dificuldades após um dos piores anos da sua atividade. “O meu perfil pode ajudar o futuro. Não é uma questão de gostar do que aconteceu, é uma questão de perceber o futuro. Temos de liderar, não seguir.”
Aos 52 anos, Miguel Patrício foi escolha unânime entre os membros da administração do grupo. Durante o tempo que passou na AB InBev, ajudou a aumentar as vendas de marcas de cerveja como a Corona, a Budweiser ou a Stella Artois. Foi ele, aliás, quem levou para a frente a ideia do anúncio à cerveja light da Budweiser em 2017, cuja frase “Dilly Dilly” ficou famosa nos Estados Unidos — uma ideia que não tinha passado nos grupos de teste, mas em que Patrício acreditou.
Miguel Patrício é reputado na indústria pela sua vasta experiência internacional. Antes de ser diretor de marketing na AB InBev, o português tinha liderado o setor da empresa responsável pelas operações na Ásia-Pacífico, período durante o qual transformou a Budweiser numa marca líder na China e fez crescer várias marcas chinesas ligadas ao grupo. Durante aquele período, os lucros do grupo na Ásia quase triplicaram.
O português vai herdar uma empresa que tem cerca de 39 mil trabalhadores em todo o mundo e que está avaliada em 63 mil milhões de euros, mas cujo rumo tem de inverter. “Não há nada mais doce na vida do que uma reviravolta”, disse Miguel Patrício ao Financial Times, acrescentando que seguirá uma política mais focada em antecipar as novas tendências no mercado dos bens alimentares, em vez de reagir e ir atrás do prejuízo.
Natural de Mação, Miguel Patrício é amigo de infância do juiz Carlos Alexandre — também natural daquela localidade do distrito de Santarém —, com quem brincava quando os dois eram crianças, lembra quem o conhece desde essa altura.


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