Marta Temido é “pequena, muito viva, enérgica”, tem “45 anos — é difícil acreditar” e mostra-se “risonha, enérgica, disponível”. É assim que a ministra da Saúde é apresentada pelo Jornal de Notícias. Numa longa entrevista publicada na edição impressa deste domingo (da qual é possível encontrar um excerto aqui), Marta Temido fala sobretudo sobre a proposta do Governo para a lei de bases da saúde mas não foge a perguntas pessoais.

A sucessora de Adalberto Campos Fernandes como ministra da Saúde, que entrou em funções no governo de António Costa em outubro e que tem tido um braço de ferro com a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, (que já pediu quase explicitamente a sua demissão), acredita que é “afável, empática” e diz que gosta “das pessoas”. Mas avisa que “não suporta” que lhe “pisem os calos”.

Quanto às suas inclinações políticas, Marta Temido, que Costa recrutou como independente, assume que está “numa linha mais à esquerda — aliás, esquerdista é subtítulo que não me ofende“. Tanto assim é que, quando lhe chega a mostarda ao nariz, tem uma preferência musical inusitada:

Quando estou muito irritada, costumo ouvir o hino da CGTP-IN (Internacional Socialista). Cá está, esta é daquelas que não devia dizer, mas é a verdade”, apontou na entrevista.

O site da CGTP disponibiliza nesta ligação os hinos que são reconhecidos pela intersindical, desde o hino nacional, o hino da CGTP e a Internacional Socialista (que o JN clarifica, na entrevista, como o hino que a ministra gosta de ouvir).

Sensível, a ministra da Saúde admite que chora com acusações como a de ter “limpado” doentes das listas de espera para consultas ou cirurgias com o intuito de “mascarar números”, quando era presidente da Administração Central do Sistema de Saúde — uma acusação feita num relatório de um grupo técnico independente criado pelo próprio Governo. Mas “depois passa”.

Politicamente, a entrevista a Marta Temido centra-se na recente divisão na “geringonça” sobre as propostas do Governo para a Lei de Bases da Saúde. A ministra diz que “há muito mais identificação do que divergência” e que “a preferência” do Governo também é que “a gestão dos hospitais seja pública. O que não sei é quando lá conseguiremos chegar”.

Avisa, porém, que “uma Lei de Bases tem de permitir alguma amplitude governativa, independentemente de ser veemente quanto aos princípios” e garante não ter “enviado nenhuma proposta ao BE”, tendo havido apenas “troca de documentos” que depois foram tornados públicos. “Não voltarei a cometer certas ingenuidades. Olhe, serviu-me de aprendizagem. Não faças as redações tentativas…”

Marta Temido descarta, ainda, acabar com as parcerias público-privado (PPP) “por decreto e sem acautelar que são internalizadas pelo menos com igual qualidade à que neste momento é prestada”.