As moedas têm duas faces: cara e coroa. Cara: O dia começou com o mandatário nacional da candidatura do PSD às Europeias, Carlos Moedas, a elogiar o governo de António Costa numa entrevista ao Diário de Notícias e à TSF. Coroa: O candidato Paulo Rangel tem feito campanha com críticas ao Governo. Para não jogar nas probabilidades, o candidato do PSD resolveu tomar a iniciativa da jogada: fez um repto a António Costa para reconduzir Carlos Moedas como comissário.

Paulo Rangel — após um passeio de barco, no rio Ave, em Vila do Conde — começou por colocar as palavras de Carlos Moedas no plano da cortesia. O cabeça de lista do PSD nas eleições Europeias destacou que o comissário europeu “é um grande comissário, uma pessoa que gera grande consenso, tem sido aliás elogiado por todos os partidos”. Logo, explica, “é natural que ela faça aqui alguma retribuição em termos de cortesia. Deve ser lido assim, é nesse plano”.

Mas Rangel não deixa escapar mais uma oportunidade para atacar Pedro Marques, que é cabeça de lista do PS, mas também uma espécie de candidato a comissário. Rangel sabe que a escolha do próximo comissário será feita pelo governo PS e, manda a tradição, que seja escolhido alguém da área política dos socialistas (só Barroso ponderou reconduzir António Vitorino, mas acabou ele próprio por ocupar o lugar). Ainda assim, decidiu desafiar o primeiro-ministro a escolher Carlos Moedas. E, assim, obriga Costa a ir a atrás e a responder ao repto (mais tarde ou mais cedo alguém irá perguntar ao líder socialista se pondera reconduzir Moedas).

Eis o apelo: “Carlos Moedas como tem um trabalho como comissário muito bom, julgo que tinha todas as condições para continuar como comissário. Era o que nós gostaríamos e, portanto, já agora lanço aqui esse repto“.

Não resistiu, depois, a sugerir que seria melhor do que Pedro Marques: “Em vez de António Costa estar a fazer como está a fazer, projeções várias sobre comissários nas eleições europeias que são para o Parlamento Europeu, podia pensar seriamente numa pessoa como Carlos Moedas para continuar a obra magnífica que tem feito na comissão Europeia.”

Mas as palavras de Carlos Moedas não foram uma mera cortesia. O mandatário disse que “Portugal é um exemplo de como se consegue mudar de governo e continuar com credibilidade nas contas” e ainda que “o primeiro-ministro conseguiu tornar-se de certa forma, por mérito seu, daquilo que fez e da credibilidade que criou, o líder dos socialistas europeus”.

Carlos Moedas: Em Portugal mudou o governo mas manteve-se credibilidade nas contas

Por isso, os jornalistas insistiram com Rangel, que garantiu não estar “nada incomodado” com as declarações de Moedas, com quem tem “ótimas relações”. O candidato diz que, em rigor, a opinião de Moedas “não colide com nada daquilo” que tem dito nesta campanha. Rangel destaca que o PSD “nunca” disse “que não havia rigor nas contas”, mas sim que “o Serviço Nacional de Saúde está degradado”.

Rangel lembra que o PSD está “a favor das metas europeias”, mas há escolhas a fazer. E é aí que critica o Governo. Segundo o cabeça de lista social-democrata, se o PSD estivesse no Governo tinha “dado prioridade ao SNS e à segurança de pessoas e bens”. Já o Governo, acusa, “resolveu abandonar esses setores. E os resultados estão à vista”.

Sobre os resultados no SNS, Paulo Rangel lembra que a taxa de mortalidade materna regrediu 28 anos, que era a área em que Portugal no SNS estava mais desenvolvido era no SNS”. Para Rangel é claro: “Qualquer coisa se está a passar. Há um custo que estamos a pagar das políticas escolhidas por este Governo. Uma coisa não retira a outra.” O cabeça de lista do PSD fez ainda um apelo para que a comunicação social noticie estas matérias.

Portugal era o quarto país da UE com maior mortalidade materna em 2016. Em 2017, ainda piorou