O filme sobre a história de amor de Elisa e Marcela, duas mulheres espanholas que, em 1901, conseguiram casar pela Igreja depois de enganarem um padre na Corunha, anunciado em 2018, vai estrear numa série de cinemas selecionados em Espanha a 24 de maio. Depois disso, e de forma a antecipar o aniversário daquele que ficou conhecido na época como o “casamento sem homem”, a longa-metragem da realizadora Isabel Coixet produzida pela Netflix, chegará à plataforma de streaming a 7 de junho. As duas mulheres casaram a 8 de junho de 1901.

“Elisa y Marcela”, protagonizado por Natalia de Molina e Greta Fernández, foi rodado a preto e branco entre a Catalunha e a Galiza e inclui cenas sobre a vida do casal em Portugal. O filme relata como Elisa Sanchez e Marcela Garcia se conheceram em 1885 na escola onde estudavam, e como “uma grande amizade” se transformou numa relação vivida “às escondidas”, refere o comunicado divulgado pela Netflix em Espanha. Foi por causa da necessidade de esconderem o que os outros achavam ser proibido que as duas mulheres decidiram “traçar um plano” e fazerem-se passar por um casal heterossexual.

O cartaz oficial de “Elisa y Marcela” foi divulgado esta semana pela Netflix em Espanha

Depois de desaparecida durante algum tempo, Elisa regressou com o cabelo cortado e transformada em Mario. Fazendo-se passar por homem e com uma certidão de nascimento falsa, conseguiu casar com Marcela no verão de 1901. Quando o caso foi descoberto, as duas foram obrigadas a fugir das autoridades espanholas. Mudaram-se então para o Porto, onde acabaram por ser detidas em agosto desse mesmo ano. Contactada pelo Observador, a Netflix em Espanha confirmou que o filme, que conta ainda com a participação de atores como Tamar Novas, Sara Casasnovas, María Pujalte, Francesc Orella, Manolo Solo e Lluís Homar, mostra também a vida do casal na prisão etambém o apoio dado pela população portuguesa, sobretudo no Porto.

É, aliás, em Portugal que o rasto das duasse perde. Pressionadas pela imprensa depois de Marcela ter tido uma filha no início de 1902, terão partido para a Argentina no verão. Pouco se sabe da sua vida do outro lado do Atlântico. Sobre o que se passou depois dessa data, foi recentemente editado pela Porto Editora um livro de ficção da autoria de Alberto S. Santos, Os Amantes de Buenos Aires, que procura reconstruir o que ainda ninguém conseguiu descobrir sobre o único casamento entre pessoas do mesmo sexo na Igreja em Espanha.