As conversações sobre um possível acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) entre o Governo britânico e o Partido Trabalhista chegaram ao fim, sem um entendimento sobre o Brexit. O líder do Labour, Jeremy Corbyn, pôs um ponto final nas negociações, um dia depois de ser tornado público pelo Partido Conservador que a primeira-ministra Theresa May deverá ser substituída no cargo em breve, segundo anunciou a Sky News.

Corbyn fez o anúncio através de uma carta enviada a May, citada pelo The Guardian, onde declara que as negociações foram “o mais longe possível” e reconhecendo que foram “detalhadas e construtivas”. “Contudo, tornou-se claro que, embora haja algumas áreas onde um entendimento é possível, não conseguimos ultrapassar as diferenças importantes que nos separam.” Um dos pontos fulcrais terá sido a exigência dos trabalhistas de que o Reino Unido permaneça numa união aduaneira com a UE — e que May não aceitou.

O líder do Labour não se ficou pelo assinalar dessas diferenças e referiu-se às notícias recentes de que a primeira-ministra deverá ser substituída em breve como líder do Partido Conservador: “A posição do Governo está cada vez mais instável e a sua autoridade tem-se desgastado.”

Para além disso, Corbyn explicitou que o seu partido continuará a opor-se ao acordo para o Brexit proposto por May. Este será levado uma quarta vez ao Parlamento, para ser votado, na primeira semana de junho — depois de ter sido chumbado três vezes, com os votos de vários conservadores. Nada indica que poderá ser aprovado desta vez.

A saída de May foi anunciada esta quinta-feira por Graham Brady, presidente do Comité 1922 (órgão que trata das matérias disciplinares e administrativas dos tories), na sequência de uma reunião com a primeira-ministra à porta fechada. “Foi uma discussão muito sincera, tentei garantir que todos os pontos de vista eram expressos e tivemos uma troca de ideias muito sincera com a primeira-ministra”, esclareceu. “Iremos decidir um calendário para a eleição de um novo líder do Partido Conservador depois do debate [sobre o acordo] e essa eleição ocorrerá, independentemente de o acordo ser ou não aprovado.”

O conhecido Brexiteer e ex-ministro de May Boris Johnson já anunciou que irá candidatar-se ao cargo de líder dos conservadores.