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EDP e gigante francês Engie criam parceria para liderar eólicas no mar

Elétrica portuguesa e grupo francês Engie vão juntar-se para desenvolver produção eólica em offshore (no mar). Parceria quer ser um dos líderes mundiais deste mercado. Acionista chinesa CTG fica fora.

Presidente executiva da Engie, Isabelle Kocher, e António Mexia, presidente executivo da EDP, assinam acordo para o offshore eólico

A EDP e a francesa Engie criaram uma parceria para desenvolver a produção de eólica em offshore (no mar) que ambiciona vir a ser um dos cinco maiores grupos mundiais neste mercado. O memorando de entendimento para criar esta joint-venture, que será detida em 50% por cada um dos operadores, foi assinado esta terça-feira em Londres.

“Reconhecemos que o eólico offshore é diferente, a começar pela escala, mas também por causa da tecnologia”, destacou o presidente executivo da EDP. António Mexia salientou também que este é um setor onde há poucos players, daí a importância desta parceria. As duas empresas já estavam associadas desde 2013 num consórcio que desenvolveu projetos offshore em França, no Reino Unido e Portugal. Com esta aliança, os dois grupos querem chegar mais longe. Para além de novos mercados na Europa e Estados Unidos, também o Japão e a Coreia do Sul foram alvos referidos pelo presidente executivo da EDP em conferência de imprensa em Londres.

A presidente executiva da Engie, Isabelle Kocher, sublinhou a rápida expansão desta tecnologia que será um grande mercado “que queremos conquistar”. O investimento médio por MW (megawatt) no eólico offshore custa entre dois a três milhões de euros, o que representa entre o dobro e o triplo do investimento num parque eólico normal em terra. Os valores elevados e a maior complexidade tecnológica foram argumentos invocados para justificar esta aliança que abrange o desenvolvimento de potência no eólico offshore fixo, mais perto da costa, e no offshore flutuante, em águas mais profundas.

A nova empresa vai combinar os ativos dos dois grupos neste setor que equivalem já 1,5 gigawatts, estando em desenvolvimento projetos que representam mais 4 gigawatts. O objetivo é atingir 5 a 7 gigawatts de projetos em operação ou construção até 2025. A parceria deverá estar operacional até ao final do ano. Não foram anunciados valores globais do investimento, mas a estratégia é que a nova empresa seja auto-financiável. A participação nesta aliança, descrita como “ambiciosa” será concretizada através da EDP Renováveis que indica o primeiro presidente executivo, Spyridon Martinis.

CTG fica de fora, mas aprovou parceria

Aos jornalistas, António Mexia esclareceu que a China Three Gorges não vai participar no capital da joint-venture agora criada, ainda que possa vir a participar em projetos concretos, como aliás já acontece. A CTG poderá também vir a ter papel importante em projetos que venham a ser desenvolvidos no mercado chinês, admitiu António Mexia que deixou, no entanto, o sublinhado: a parceria com o grupo francês foi aprovada por todos os acionistas importantes da EDP, portanto também pela CTG.

Para além de ser a maior acionista da EDP, a China Three Gorges tem vindo a desenvolver uma parceria estratégica com o grupo português para o setor das renováveis, entrando diretamente no capital de vários projetos eólicos da EDP Renováveis e sendo acionista direta da subsidiária portuguesa desta empresa.

A aliança agora anunciada para o eólico offshore é a primeira operação significativa lançada pela EDP depois do fracasso da oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges que não conseguiu o apoio necessário dos acionistas. E o parceiro escolhido, a Engie, chegou a ser apontada na imprensa francesa como interessada na EDP pouco antes de ser anunciada a oferta pública de aquisição da acionista chinesa da empresa portuguesa, em maio do ano passado.

Já com a OPA chinesa no mercado, surgiram mais notícias, segundo as quais a Engie estaria a estudar uma oferta sobre a EDP Renováveis, que é controlada pela EDP. A empresa de energia francesa estaria ainda a olhar com interesse para ativos na área das renováveis que tivessem que ser vendidos por imperativos regulatórios, por exemplo nos Estados Unidos, caso a OPA da China Three Gorges fosse para a frente. O que foi anunciado agora é mais modesto e está, para já, limitado ao setor do offshore elétrico.

António Mexia e Isabelle Kocher reconheceram, em respostas aos jornalistas, que as negociações para esta parceria já duravam há algum tempo e enquanto estava em cima da mesa a OPA chinesa sobre a EDP que caiu na assembleia geral de 24 de abril. No entanto, os dois gestores desvalorizaram a relação entre o fim da oferta e o acordo revelado esta terça-feira. O anúncio só foi feito agora porque só agora ficaram “finalizados os últimos detalhes”. As equipas já trabalhavam bem juntas há vários anos e esta evolução para uma parceria exclusiva a nível mundial foi “natural”. Para o presidente executivo da EDP, a associação para este mercado muito específico nem era incompatível com a oferta chinesa.

Este projeto vai no sentido da prioridade sinalizada no plano estratégico apresentado ao mercado em março último onde se aposta num reforço no setor das renováveis. O mesmo plano prevê a venda de ativos na produção convencional de energia, nomeadamente centrais térmicas e barragens, em Portugal.

Questionada sobre o interesse da Engie em estudar alguns desses ativos, Isabelle Kocher não abriu muito jogo, acrescentando que o grupo está sempre disposto a estudar todos os projetos que surjam. O administrador da Engie que tem o pelouro da área operacional do grupo francês, o português Paulo Almirante, afirmou que a empresa se vai manter como até agora onde é, através da joint-venture com a Marubeni, o segundo maior produtor de energia em Portugal. 

O grupo francês controla em Portugal vários parques eólicos, mas também as centrais térmicas do Pego (carvão e gás natural) e aa Tapada do Outeiro, através de um grupo que controla em conjunto com a empresa japonesa Marubeni.

A Engie é uma das maiores empresas de energia na Europa e mesmo a nível mundial que resultou da junção entre a Gaz de France e a Suez e onde o maior acionista é o Estado francês com 23,64% do capital, sendo que a maioria das ações está dispersa em bolsa. Com 160 mil funcionários, receitas anuais de mais de 60 mil milhões de euros e uma capitalização bolsista de 34 mil milhões de euros, o gigante francês é pelo menos três vezes maior do que a elétrica portuguesa.

A jornalista viajou para Londres a convite da EDP.

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