No final de março, no espaço de quatro dias, Portugal empatou duas vezes. Primeiro com a Ucrânia, depois com a Sérvia, a Seleção Nacional não conseguiu mais do que dois pontos nos primeiros dois jogos da qualificação para o Euro 2020. Face a duas exibições apáticas e que muito, demasiado, deixaram a desejar, Fernando Santos foi criticado. Criticado pela titularidade de Dyego Sousa e por não apostar em Diogo Jota, criticado pela escassa utilização de Pizzi, que realizou uma temporada assinalável no Benfica, e criticado por não ter aproveitado o primeiro jogo para lançar João Félix (o jovem jogador lesionou-se e já não esteve no segundo).

O selecionador nacional foi criticado como provavelmente já não era desde a fase de grupos do Euro 2016, que Portugal acabou por conquistar, quando a seleção portuguesa só conseguiu três pontos em três jogos com Islândia, Áustria e Hungria. Passaram mais de dois meses. Os clubes fecharam a temporada, Fernando Santos teve tempo, espaço e oportunidades para escolher o lote de convocados que iria disputar a fase final da Liga das Nações e atirou-se à inédita competição europeia de seleções sem grandes receios, garantindo na antevisão do jogo desta quarta-feira com a Suíça que Portugal iria sempre atrás do troféu.

Assim foi. E assim será. Contra os suíços, a seleção portuguesa esteve longe de deslumbrar e acabou por beneficiar de (mais) uma noite inspirada de Cristiano Ronaldo para carimbar o passaporte para a final da Liga das Nações. A ausência de grandes oportunidades, de grandes lances, de remates enquadrados, foi ofuscada pelos três grandes golos do capitão que acabaram por aniquilar uma Suíça corajosa. Contas feitas e críticas à parte, a verdade é que a Seleção Nacional leva já nove jogos consecutivos sem perder — a última vez que perdeu foi na eliminação do Mundial da Rússia, há quase um ano, com o Uruguai –, e vai disputar a segunda final em três anos (Euro 2016 e agora Liga das Nações 2019) e a terceira do seu palmarés (mais Euro 2004).

Na flash interview, o selecionador nacional afastou qualquer surpresa relativa à exibição de Cristiano Ronaldo e lembrou que o jogador só o surpreendeu “quanto tinha 18 anos”, reforçando a ideia de que “Portugal sempre teve talento”, uma frase que já tinha sublinhado na antevisão quando questionado sobre a dificuldade de gerir tantos jogadores com qualidade para serem chamados. “Já vem desde 2004 e é por isso que quando digo que Portugal sempre teve talento, às vezes parece que é proibido dizer. A mim não me surpreende nada, surpreendeu quando tinha 18 anos e o treinava no Sporting. Há que aproveitar a qualidade destes jogadores e continuar a crescer coletivamente”, atirou Fernando Santos, que destacou depois o “génio coletivo” da reta final da partida.

“O génio coletivo, isso é que desbloqueou o jogo nos 10 minutos finais. A equipa começou a ter mais bola, a sair com outra qualidade. Foi um jogo tremendo, duas equipas muito fortes. Tivemos momentos ansiosos, a querer jogar direto com a bola, faltou circulação. A Suíça sabe ter bola, mas os jogadores trabalharam muito e acabaram por merecer a vitória. Portugal acabou por ter as melhores oportunidades e vencer bem”, defendeu o selecionador, que recordou que esta equipa só perdeu três vezes, “duas nos 90 minutos e uma nos penáltis”. “As finais ganham-se a jogar. Se não se jogarem, não se podem ganhar. Vamos para a final para vencer”, garantiu.

Já na conferência de imprensa, Fernando Santos falou sobre João Félix, que se estreou com a camisola da Seleção Nacional — e logo a titular — mas parece ter passado um pouco ao lado da partida. “Não foi um teste, esses fazem-se na escola. Eu avalio os meus jogadores durante a temporada e chamo-os porque merecem e podem jogar sob quaisquer circunstâncias. Não tem nada a ver com estar a testá-los ou a fazer um exame. Não estou aqui a testar ninguém”, concluiu o selecionador nacional, que vai disputar no próximo domingo a segunda final desde que está no comando da seleção portuguesa.