Dez conservadores concorrem à sucessão de Theresa May na liderança do partido. As candidaturas foram entregues esta segunda-feira, ao final da tarde. Os dez candidatos estão já em campanha interna e as votações, em várias rondas, começam na quinta-feira.

A lista final confirma os dez nomes que já circulavam, todos com ligações atuais ou passadas ao próprio governo de May:

  • Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros
  • Michael Gove, ministro do Ambiente
  • Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros
  • Mark Harper, ex-ministro
  • Dominic Raab, ex-ministro do Brexit
  • Sajid Javid, ministro do Interior
  • Andrea Leadsom, ex-ministra dos Assuntos Parlamentares
  • Rory Stewart, ministro do Desenvolvimento Internacional
  • Matt Hancock, ministro da Saúde
  • Esther McVey, ex-ministra do Trabalho

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O Independent tentou, entretanto, fazer uma previsão do apoio atual que cada um dos candidatos reúne dentro do Partido Conservador. O cálculo confirma o favoritismo de Boris Johnson. O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, que abandonou o governo de Theresa May em desacordo com a forma como o processo de saída da União Europeia estava a ser gerido, aparece como o que consegue assegurar maior apoio de ambas as partes: quer dos que defendem o Brexit, quer dos que preferiam que o Reino Unido se mantivesse na UE.

Fora da corrida ficou Sam Gyimah. O antigo ministro não conseguiu reunir o apoio formal e público de oito conservadores — exigido para que cada candidatura seja aceite — e anunciou a sua desistência. Era um dos que defendia a realização de um novo referendo ao Brexit, que Theresa May chegou a admitir como possível, desde que o seu acordo com a UE fosse aprovado.

Os candidatos vão agora sujeitar-se a votações em várias rondas, que vão excluindo os menos votados até chegar a apenas dois. A primeira dessas rondas acontece já na quinta-feira e os resultados devem ser conhecidos por voltas das 13h00. Segundo o calendário definido pelo Partido Conservador, a escolha do novo líder dos tories — e, por inerência, o novo primeiro-ministro — deve estar concluída até meados de julho.

Seja quem for o vencedor, terá pela frente a tarefa de gerir — e cumprir — o Brexit. A imprensa britânica destaca que, independentemente da estratégia que cada um tem anunciado, a tarefa não será fácil para qualquer um deles. O parlamento continua profundamente dividido e a União Europeia já foi clara sobre o futuro: seja quem for o novo primeiro-ministro, o acordo para a saída está fechado, o Brexit tem de acontecer até 31 de outubro e não há mais nada para negociar.

Chegou a vez do “Show Boris”. Fará alguma diferença para o Brexit, depois da saída de May?