O Reino Unido deixou oficialmente de integrar a União Europeia em 31 de janeiro de 2020, na sequência do referendo do Brexit, de 2016, mas pode estar agora mais perto de um eventual regresso à condição de Estado-membro comunitário. A possibilidade foi assumida pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, numa reavaliação das relações de Londres com a Europa, em que reconheceu a necessidade de intensificar os laços e criticou os efeitos negativos do Brexit.
“Podíamos ficar como estamos. Essa é, sem dúvida, uma opção, se as pessoas acharem que este é o lugar certo para ficarmos”, afirmou Burnham à BBC, continuando: “Podíamos analisar o que George Osborne disse sobre uma união aduaneira. Podíamos analisar o que os Liberais Democratas disseram na sua conferência sobre o mercado único, ou podíamos ir até ao fim“.
Primeiro-ministro britânico promete novo rumo para o Reino Unido após década de “divisão”
A expressão “até ao fim” seria, nesse sentido, um regresso até ao ponto de partida de há uma década, tendo o líder do Governo britânico já enfatizado na conferência anual do Partido Trabalhista que o Brexit prejudicou o desenvolvimento do país.
Burnham considerou que se deve ter em conta o “que é viável” no futuro próximo do Reino Unido e para uma análise ponderada das “vantagens e desvantagens” de cada uma das opções possíveis, mas foi taxativo em relação ao diagnóstico. “Sou muito claro e vou dizê-lo sem rodeios: o Brexit causou mais mal do que bem“, afirmou. “Portanto, a questão é: o que fazemos a esse respeito?”, questionou.
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Entre as restantes opções enunciadas, Burnham destacou o que George Osborne, antigo ministro das Finanças no Governo conservador, defendeu recentemente, com o apoio à solução de uma união aduaneira com a UE, enquanto os Liberais Democratas apontaram no sentido de um regresso ao mercado único comunitário.
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— Andy Burnham (@andyburnham) September 29, 2026
“Já disse que gostaria de ver a Grã-Bretanha voltar a aderir ainda durante a minha vida, por isso não faz sentido dizer o contrário, mas isso não significa necessariamente que seja o caso neste momento”, referiu ainda Andy Burnham.
O atual primeiro-ministro trabalhista, que sucedeu em julho ao colega de partido Keir Starmer, dá um passo mais firme numa ideia de reintegração comunitária em relação ao seu antecessor e sublinhou também que “cerca de 60% da população” concorda com uma ideia de regresso do Reino Unido à UE.