O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a conclusão de uma “discussão bem-sucedida” com Vladimir Putin sobre a libertação de mais de 300 mil toneladas de diesel russo para o mercado norte-americano e global, com efeitos imediatos.
Em novembro, deverão ser lançadas mais 500 mil toneladas e mais de 1 milhão de toneladas de seguida, explicou numa publicação no Truth Social. Dependendo do estado das refinarias russas, adiantou Trump numa referência velada aos ataques ucranianos à infraestrutura energética de Moscovo, espera-se que a Rússia entregue “num curto período de tempo” três milhões de toneladas de diesel.
“Entre o nosso CONTROLO TOTAL do Estreito de Ormuz e este grande anúncio sobre a Energia Russa, os preços do diesel para os norte-americanos e, na verdade, para o Mundo, vão BAIXAR, EM NÚMEROS RECORDE, E DE FORMA RÁPIDA!”, acrescenta.
Após o anúncio de Trump, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a emissão de uma licença geral temporária para “permitir o fornecimento de diesel russo para o mercado global” até 7 de abril de 2027. As exportações russas de hidrocarbonetos são alvo de sanções.
Today, at President Trump’s direction, the Office of Foreign Assets Control (OFAC) is immediately issuing a temporary general license to allow the supply of Russian diesel to the global market.
— Treasury Department (@USTreasury) October 9, 2026
“Vai beneficiar o mundo”. Enviado especial de Putin elogia o acordo
O Kremlin confirmou o acordo e referiu numa nota que, além da questão energética, discutiram a guerra na Ucrânia, o conflito no Irão e as relações bilaterais.
“Aquando da discussão sobre o estado das coisas na energia mundial, a parte russa confirmou a sua disponibilidade para fornecer petróleo e produtos petrolíferos aos mercados americano e mundial. Estou certo de que isto se refletirá positivamente em toda a economia global”, sublinha.
O enviado especial de Putin para a cooperação internacional económica e de investimento, Kirill Dmitriev, assinalou que se trata de algo que “vai beneficiar o mundo”.
“O Presidente Putin e o Presidente Trump acabaram de ter uma chamada bem-sucedida. A cooperação energética e económica entre a Rússia e os Estados Unidos continuará e beneficiará os mercados globais e o mundo”, refere nas redes sociais.
President Putin and President Trump just had a successful call.
Russia-US energy and economic cooperation will continue and benefit global markets and the world. ???????????????????? pic.twitter.com/oSkGhMRry0
— Kirill Dmitriev (@kadmitriev) October 9, 2026
Do mesmo modo, Alexander Novak, vice-primeiro-ministro da Rússia, adiantou à agência de notícias russa TASS que as exportações vão começar com efeitos imediatos e que podem chegar aos três milhões de toneladas por mês no futuro.
“Presente para Putin”. Zelensky condena acordo
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condenou o anúncio, afirmando que vai ser uma forma de Moscovo intensificar os ataques contra a Ucrânia e pediu “apoio justo” a Washington para não escalar o conflito. Zelensky recebeu, esta sexta-feira, uma delegação bipartidária do Congresso norte-americano para discutir formas de terminar com o conflito.
“Presentes para Putin não vão trazer paz ou qualquer benefício para o mundo civilizado. A Rússia vai ‘retribuir’ o diesel com mais terror e perfídia. Permitir que a Rússia venda produtos petrolíferos é um investimento numa guerra que deve ser encerrada, não prolongada”, sublinhou, numa publicação nas redes sociais. Além disso, afirmou à Axios que o acordo não é “justo nem honesto”.
Zelensky afirmou ainda que qualquer flexibilização das sanções sem um acordo de desescalada é uma “fraqueza óbvia” e pede um cessar-fogo energético, comprometendo-se a não atacar refinarias russas se Moscovo não atacar as infraestruturas energéticas ucranianas.
“Qualquer flexibilização das sanções contra a Rússia, sem um acordo claro e duradouro de desanuviamento, é uma fraqueza evidente. Isto joga a favor da Rússia — permitindo-lhe matar mais, travar a guerra durante mais tempo, respeitar ainda menos a América e causar perdas e danos ainda maiores ao mundo”, publicou Zelensky nas redes sociais.
Peace never comes through weakness. Today, representatives of the U.S. Congress were in Kyiv – a bipartisan delegation – and I am grateful to them for visiting Ukraine at such a difficult time. They asked: what is needed to end the war? The answer must be strong. There must be…
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) October 9, 2026
Em resposta, Trump garantiu que os Estados Unidos se mantêm como um “parceiro forte”, mas que necessitam dos combustíveis para o mercado. “Somos um parceiro forte. Precisamos de petróleo para o mundo. Então, estamos muito felizes“, afirmou aos jornalistas, no exterior da Casa Branca.
[podcast_promo]Q: Zelensky said the oil deal with Russia is a weak move that will only prolong the war.
Trump: We’re a strong partner. We need oil for the world. So we’re very happy to get the diesel. pic.twitter.com/JmS42ZbSfm
— Clash Report (@clashreport) October 9, 2026