Além do Corsa-e, a versão eléctrica do seu utilitário, a Opel está apostada em reforçar a sua oferta com baixas ou zero emissões. Por isso, a marca alemã vai igualmente introduzir o futuro Mokka X-e a bateria e o furgão Vivaro-e, apoiado na mesma tecnologia, que retira energia para alimentar o motor de acumuladores de iões de lítio. Mas talvez um dos modelos mais aguardados seja o Grandland X Hybrid4, um híbrido plug-in (PHEV) que recorre às mesmas soluções técnicas do Peugeot 3008 Hybrid4.

Os PHEV merecem, por parte dos legisladores em Bruxelas, um tratamento altamente favorável e não necessariamente justificável, o que os torna muito interessantes, tanto para os consumidores, como para os fabricantes. Os primeiros porque têm acesso a veículos mais baratos (nos países onde os impostos dependem das emissões de CO2 ou do consumo) e os segundos porque passam a incluir nas respectivas gamas modelos que anunciam consumos e emissões ridiculamente baixos (médias inferiores a 2,0 litros e 40g de CO2/km), o que garante um importante contributo para respeitar a fasquia das 95g de CO2/km imposta pela União Europeia em 2020.

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Em abono da verdade, os PHEV revelam um grande potencial para proteger o ambiente, se devidamente utilizados. Ao percorrerem um mínimo de 50 km em modo eléctrico – e há muitos condutores que não ultrapassam esta fasquia diariamente –, permitem uma solução dois-em-um para a maioria. Por um lado, um eléctrico com zero emissões no dia-a-dia, por outro, a possibilidade de recorrer ao motor principal, a gasolina ou diesel, nas escapadelas de fim-de-semana ou nas férias. O problema é que grande parte dos estudos revela que os condutores dos PHEV, especialmente dos mais dispendiosos, raramente recarregam as baterias dos seus veículos, não beneficiando assim o ambiente ou justificando as ajudas financeiras que receberam.

Na esperança de que esta realidade venha a ser alterada, a Opel vai começar a produzir seu primeiro PHEV já a partir do final de 2019, para que as primeiras unidades comecem a ser entregues aos clientes no início de 2020. O Grandland X Hybrid4 recupera praticamente tudo do SUV alemão, montando à frente um motor a gasolina com bastante raça, o 1.6 Turbo com quatro cilindros e 200 cv, acoplado a uma caixa automática de oito velocidades convencional (com conversor de binário, produzida pelos japoneses Aisin).

Mas o trunfo desta nova versão Hybrid4 reside nos dois motores eléctricos, cada um com 109 cv, estando o primeiro colocado entre o motor a gasolina e a caixa de velocidades, para fornecer a potência necessária para atingir os 300 cv anunciados para o mais possante dos Grandland X e o único com tracção integral. Sempre que o condutor acelera, o motor eléctrico ajuda nas retomas de velocidade, reduzindo o consumo – é bom lembrar que, mesmo depois de esgotar a bateria, este tipo de modelos continua a oferecer as vantagens de ter um funcionamento híbrido, recorrendo aos serviços de dois motores –, sendo ainda este motor que garante os 52 km em modo eléctrico em WLTP, o que corresponde a 65 km segundo o antigo método NEDC.

O segundo motor eléctrico está montado sobre o eixo traseiro, de forma a garantir a tracção integral, isto sem que existam ligações mecânicas entre os dois eixos. O Grandland X Hybrid4 funciona assim como um tracção à frente, para o motor traseiro entrar em funções sempre que há problemas de aderência nas rodas anteriores e as posteriores tenham que ser chamadas a intervir. Ambos os motores eléctricos são alimentados por uma bateria de iões de lítio, do mesmo tipo das que equipam o Corsa-e, mas com apenas 13,2 kWh.

O Hybrid4 disponibiliza ao condutor quatro modos de condução, respectivamente o Eléctrico (durante 52 km e em que só os dois motores alimentados pela bateria funcionam), o Híbrido (essencialmente o normal, com o sistema a gerir da melhor forma a energia para maximizar o consumo), o AWD (destinado a garantir que há sempre potência nas quatro rodas) e, por fim, o Sport (quando o condutor faz questão de ter à disposição os 300 cv que o modelo anuncia).

Como PHEV que é, o Grandland X Hybrid4 anuncia 1,6 litros/100 km, um valor que, como acontece neste tipo de motorizações, pressupõe que se arranque com a bateria em pleno e seja relativo apenas aos primeiros 100 km. A este consumo corresponde a emissão de 37 gramas de CO2 por quilómetro, um valor muito baixo que será bom para o preço e para o acumulado das emissões da Opel no próximo ano.

Os valores previstos para  nosso país ainda não são conhecidos. Mas na Alemanha, onde já abriram as encomendas, o Grandland X PHEV é proposto por 49.940€.