O Deutsche Bank está a preparar uma reestruturação que passa pela criação de um “banco mau” onde deverão ser colocados até 50 mil milhões de euros em ativos tóxicos, noticiou este domingo o Financial Times. Ao mesmo tempo, o maior banco alemão prepara-se para aplicar cortes significativos na sua atividade de banca de investimento, encerrando a maioria das unidades fora da Europa continental.

Citando quatro pessoas familiarizadas com este processo, o Financial Times avança que o “banco mau” deverá conter sobretudo negócios antigos que têm pesado nas contas do banco alemão — que em março confirmou ter iniciado negociações com o Commerzbank para uma eventual fusão para fazer frente às dificuldades financeiras da instituição.

Um mês depois, a fusão foi abandonada, com os custos da reestruturação a pesarem na decisão de não avançar com a junção dos dois gigantes. Na altura, o líder do Deutsche Bank, Christian Sewing, disse que o banco não tinha ficado convencido de que a fusão contribuiria positivamente para a rentabilidade e sustentabilidade do banco.

A operação foi criticada pela possibilidade de a fusão implicar um grande número de demissões de funcionários. Antes de se saber que a fusão tinha sido abandonada, já era noticiado que o Deutsche Bank preparava um plano alternativo que poderia passar pela possibilidade de criar um banco mau para os ativos tóxicos.

Ao Financial Times, o banco recusou confirmar oficialmente a criação do banco mau. “O Deutsche Bank está a trabalhar em medidas para acelerar a sua transformação e para melhorar a sua rentabilidade sustentável. Vamos informar todos os interessados se e quando for necessário”, disse o banco numa resposta por escrito.

O FT avança também que a medida poderá vir a ser anunciada no final de julho, quando o Deutsche Bank apresentar os resultados respeitantes ao primeiro semestre de 2019.