Rádio Observador

Saúde

Maternidades do Norte também estão em risco durante o verão, alertam diretores de serviço

466

Diretores de 13 serviços de ginecologia e obstetrícia do Norte vão enviar carta à ministra da Saúde a alertar para as dificuldades. Presidente da ARS/Norte diz que foram contratados mais 6 obstetras.

Diretores de serviço das maternidades do Norte temem que não seja possível assegurar serviços nos meses de verão

Sean Gallup/Getty Images

Depois do alarme causado pela notícia de que as urgências para as grávidas na região de Lisboa poderiam encerrar de forma rotativa durante o verão devido à falta de especialistas para assegurar os serviços, os responsáveis pelas maternidades da zona Norte também estão preocupados com a possibilidade de não terem capacidade para garantir as urgências durante o verão.

A notícia é avançada este sábado pelo Jornal de Notícias, que diz que 13 diretores de serviço de maternidades da região Norte vão enviar uma carta em conjunto à ministra da Saúde, Marta Temido, denunciando que vivem uma “situação caótica” devido à falta de recursos humanos e que se continuarem sem autorização para contratar novos profissionais de saúde “não será possível garantir as urgências nos meses de julho, agosto e setembro”.

A carta deverá ser assinada pelos diretores dos serviços públicos de ginecologia e obstetrícia de Braga, Bragança, Famalicão, Guimarães, Paredes, Porto, Santa Maria da Feira, Viana do Castelo e Vila Real, detalha o Jornal de Notícias.

Citado por aquele jornal, o diretor do serviço de ginecologia/obstetrícia do hospital de Guimarães, José Manuel Furtado, confirmou que estes 13 diretores de serviço se reuniram na semana passada nas instalações da Ordem dos Médicos no Porto

O responsável sublinhou ao Jornal de Notícias que a carta vai ser enviada à Administração Regional de Saúde do Norte e ao Ministério da Saúde para manifestar a “perturbação” causada pela falta de profissionais de saúde naqueles hospitais, já que “os quadros não estão a ser renovados” — e os profissionais de saúde “vão para o estrangeiro ou para o serviço privado, que oferece melhores condições“.

Presidente da ARS/Norte diz que foram contratados mais seis médicos obstetras

Entretanto, o presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS/Norte), Carlos Nunes, anunciou já este sábado que foram contratados mais seis profissionais em ginecologia e obstetrícia para o norte do país, prevendo um verão sem complicações no serviço ou urgências.

Em declarações à agência Lusa, Carlos Nunes revelou que no início de julho vão entrar mais médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia, e que na ARS Norte “serão seis”, resultado de um concurso de início de junho. Disse também que estes profissionais iniciam funções no dia 01 de julho e que “haverá com certeza entrada de outros profissionais ao longo dos próximos meses”.

A informação avançada pelo presidente da ARS surge depois do aviso dos 13 diretores de serviço. Carlos Nunes disse desconhecer a carta e o seu conteúdo e admitiu que “naturalmente” não é possível ter todos os recursos que se gostaria nesta área em específico. “Mas não prevejo que haja nenhuma complicação nem fecho de urgências, nada disso”, afirmou. Por outro lado, sublinhou que os profissionais de obstetrícia e ginecologia têm aumentado nos últimos três anos, passando de 254 em 2015 para 275 contabilizados a 31 de dezembro de 2018. Nesse sentido, disse que não prevê “qualquer dificuldade” seja nas urgências ou no serviço.

Relativamente à carta, Carlos Nunes disse que quando a receber a irá analisar e depois avaliar com as administrações dos hospitais eventuais situações pontuais que poderão acontecer e o que poderá ser feito.

Fecho rotativo como em Lisboa é solução de “recurso”

Já se sabe que no verão, durante o período de férias dos médicos, a falta de recursos se acentua. Os diretores das maternidades do Norte admitem que uma solução como a que foi encontrada em Lisboa (quatro urgências vão encerrar rotativamente) poderá acontecer, mas será “apenas um recurso” e uma “última medida para ultrapassar as dificuldades”.

Na sequência da notícia do Público sobre o fecho rotativo das urgências para grávidas em Lisboa, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu que o assunto fosse “devidamente esclarecido e explicado”. PCP, Bloco de Esquerda e PSD já pediram que a ministra da Saúde, Marta Temido, seja ouvida de urgência no Parlamento.

Ordem dos Médicos convoca reunião para 1 de julho

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, pediu, entretanto, uma reunião com os diretores de serviço de Ginecologia/Obstetrícia e Neonatologia do norte e centro do país para o dia 1 de julho, anunciou a Ordem em comunicado.

“O Ministério da Saúde tem sido sucessivamente alertado para os problemas pelos profissionais e pela própria Ordem dos Médicos. No entanto, parece que só aparecem a falar dos problemas quando eles surgem na comunicação social e, mesmo perante as evidências, preferem negar a realidade. Desta vez a ministra recebe uma carta de 13 diretores de serviço de hospitais do norte do país que avisam que as urgências externas das maternidades estão comprometidas já a partir de julho. Estarão todos errados como faz crer a tutela?”, questiona o bastonário.

“As graves carências de especialistas em Ginecologia/Obstetrícia estão a levar a que, um pouco por todo o país, se multipliquem os casos de dificuldade em completar as escalas, o que está na origem do fecho total ou parcial das urgências externas das maternidades. Hoje foram tornadas públicas as dificuldades nas 13 maternidades do norte do país. A Ordem dos Médicos já tinha alertado que as apenas 5 vagas para especialistas em Ginecologia/Obstetrícia impostas pelo Ministério da Saúde para o norte (em 45 vagas abertas este ano a nível nacional) eram manifestamente insuficientes para uma população de 3,7 milhões de pessoas, mas nada foi feito para corrigir a situação”, acrescenta a Ordem no comunicado.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Ordem dos Enfermeiros

O medo é livre

João Paulo Carvalho

A Ordem fez o que lhe cabia, apoiou os enfermeiros e denunciou, quando teve de denunciar, situações que põem em risco a segurança e qualidade dos cuidados de saúde. Assobiar para o lado não é solução.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)