Rádio Observador

Saúde

Um quarto das propostas para reforma da Saúde ficou na gaveta nos últimos 25 anos

Cerca de um quarto das 200 propostas para reformar o sistema de saúde feitas nos últimos 25 anos nunca chegou a sair do papel, concluiu uma análise da Universidade Nova de Lisboa.

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Cerca de um quarto das 200 propostas para reformar o sistema de saúde feitas nos últimos 25 anos nunca chegou a sair do papel, concluiu uma análise da Universidade Nova de Lisboa que é esta segunda-feira apresentada em Lisboa.

A equipa do economista Pedro Pita Barros selecionou e analisou 202 propostas de oito documentos estruturantes para a saúde desde 1995 para verificar que parcela foi executada e o que “ficou na gaveta dos segredos” do Ministério da Saúde.

Em termos genéricos, 24% das propostas “ficaram completamente” por realizar, enquanto 26% acabaram por ser completamente aplicadas.

Juntando as que foram concretizadas totalmente com as que tiveram um elevado grau de concretização temos 42% das medidas com alguma consequência em termos de implementação”, resumiu o investigador Pedro Pita Barros, em entrevista à agência Lusa.

O economista reconhece que o grau de concretização completa foi maior do que aquele que esperava, enquanto o nível das medidas não aplicadas coincidiu com a expectativa dos investigadores.

Neste trabalho, apresentado no âmbito de uma iniciativa da empresa FDC Consulting, não foi avaliado qual dos ministros da Saúde executou mais ou menos medidas.

Até porque, segundo Pita Barros, o que parece ser mais determinante na execução das medidas é o “tempo político” em que foram realizados e não o titular da pasta em si.

Aliás, as medidas ou documentos que acabaram por ter maior concretização foram os associados ao período de intervenção da ‘troika’, em que “houve pressão externa e verificação da execução das medidas”.

A reforma dos cuidados de saúde primários iniciada em 2005 teve também “um grau de concretização elevado”, não só porque foi elaborada num “tempo de folga orçamental”, mas igualmente porque quem fez as propostas e quem teve a responsabilidade da sua implementação tinha “grande alinhamento de visão, com o apoio político claro do então ministro Correia de Campos”.

Em termos gerais, das áreas analisadas, a do combate ao desperdício ou da eficiência é a que se destaca com mais medidas implementadas, por ser também uma área onde muitas medidas foram sendo apresentadas.

Isto não significa, frisa Pita Barros, que as medidas tenham sido eficientes, até porque se foram sendo consecutivamente apresentadas significará que provavelmente as medidas anteriores não terão tido grande efeito.

Houve também alguma concretização na área dos cuidados de saúde primários e na área hospitalar, embora no caso dos hospitais haja mais propostas que acabaram por não ser levados a cabo.

Há a área da saúde pública e dos hábitos de vida saudável surge como tendo poucas propostas e “quase sem execução ou aplicação”.

Também a área da saúde mental é referida com frequência em medidas ou propostas, que “depois não têm consequência em termos de aplicação”, segundo a análise da equipa da NOVA School of Business and Economics.

Para Pedro Pita Barros, as medidas na área da saúde acabam por funcionar como “um harmónio ao longo do tempo”, sendo por vezes “secundárias, mas mediaticamente mais atrativas”.

Exemplo disso é, para o investigador, o das taxas moderadoras, sendo que ora se vai num sentido, ora se vai noutro, consoante o momento.

Além disso, frequentemente as medidas mais mediáticas não são as mais importantes, e também aqui as taxas moderadoras funcionam como exemplo.

“Mesmo nos orçamentos das famílias, quando comparado com a comparticipação de medicamentos ou com os gastos em saúde oral, [as taxas] têm menos peso”, considerou.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Toxicodependência

Fernanda Câncio, a droga não é "cool"

Henrique Pinto de Mesquita
2.404

Venha ao Bairro do Pinheiro Torres no Porto. Apanhamos o 204 e passamos lá uma hora. Verá que as pessoas que consomem em festivais não são bem as mesmas que estão deitadas nas ruas do Pinheiro Torres.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)