A trabalhadora Cristina Tavares, que foi despedida duas vezes pela corticeira Fernando Couto, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, vai ser reintegrada na empresa e será indemnizada por danos morais, informou fonte sindical esta quarta-feira.

A informação foi avançada à Lusa pelo presidente do Sindicato dos Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte (SOCN), Alírio Martins, à porta do Tribunal da Feira, onde iria começar a ser julgada nesta quarta-feira a ação de impugnação do segundo despedimento.

“A trabalhadora vai começar a trabalhar no dia 1 de julho, exercendo as mesmas funções que tinha antes de ser despedida”, disse o dirigente sindical, adiantando que as duas partes ainda estão reunidas a ultimar os pormenores do acordo.

Em comunicado, a administração da Fernando Couto explica agora a sua decisão: “Decidimos dar-nos uma nova oportunidade e virar a página negativa que se formou, criando condições para nos focarmos na nossa atividade em paz jurídica e assim construirmos o nosso futuro”.

No mesmo documento, a empresa acrescenta: “O tempo encarregar-se-á de demonstrar as injustiças que nos foram feitas”.

O caso de Cristina Tvares foi acompanhado pela Autoridade para as Condições do Trabalho que, tendo comprovado com várias inspecções à empresa o assédio moral e a afetação da operária a funções que não se enquadravam na sua categoria profissional, aplicou à Fernando Couto diferentes coimas, num valor global na ordem dos 50.000 euros.

O acordo estabelecido esta quarta-feira entre as partes estipula também que a trabalhadora terá que ser indemnizada em 11.000 euros por danos morais e ressarcida dos salários que não recebeu no período em que esteve afastada da empresa devido ao despedimento ilícito.

Esta quarta-feira, à saída do Tribunal da Feira, Cristina Tavares afirmava: “Claro que isto me deixou marcas psicológicas e a nível familiar, (..) mas vou trabalhar para lá como trabalhei sempre, como uma boa funcionária. Agora também espero da parte de lá que me respeitem, como sempre me respeitaram até haver isto tudo”.

Cristina Tavares foi despedida de uma empresa de Santa Maria da Feira em janeiro de 2017, alegadamente por ter exercido os seus direitos de maternidade e de assistência à família, mas o tribunal considerou o despedimento ilegal e determinou a sua reintegração na empresa.

Em janeiro deste ano, a empresa corticeira voltou a despedi-la acusando-a de difamação, depois de ter sido multada pela Autoridade das Condições do Trabalho (ACT), que verificou no local que tinham sido atribuídas à trabalhadora tarefas improdutivas, carregando e descarregando os mesmos sacos de rolhas de cortiça, durante vários meses.

A situação de Cristina Tavares deu origem a três contraordenações da ACT à empresa Fernando Couto Cortiças, no valor global de quase 50 mil euros.