A Mini revelou o seu primeiro modelo movido exclusivamente a bateria, o Cooper SE, cujo melhor cartão de apresentação continua a ser a imagem que tantos apaixona. Porém, como a transição para a mobilidade eléctrica é, habitualmente, uma escolha mais racional que emocional, não deixa de surpreender a ambição do construtor britânico, no que à autonomia diz respeito.

Dados ainda provisórios, apontam para uma autonomia entre os 235 e os 270 km, o que coloca o Mini praticamente em pé de igualdade com os mais pequenos (e mais baratos) Volkswagen e-up!, Seat Mii Electrice e Skoda Citigoe iV. Com outra coincidência: todos eles estarão no mercado no início de 2020.

Para construir o Cooper SE, a Mini pegou na plataforma de tracção dianteira da nova geração do hatchback e adaptou-a de forma a poder acolher a componente eléctrica. O pack de baterias com uma capacidade de 32,6 kWh está disposto em “T” no lugar do túnel de transmissão e no espaço entre os bancos da frente e os de trás, pelo que em termos de medidas nada se altera, excepção feita para a altura (+18 mm). Esta opção não penaliza a volumetria da bagageira, que se mantém inalterada face à versão com motor térmico. Ou seja, 211 litros que podem crescer até aos 731 mediante o rebatimento dos bancos traseiros.

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O motor está colocado no eixo da frente, sendo o mesmo do BMW i3S. Debita 184 cv e um binário máximo de 270 Nm, estando limitado a 150 km/h, para preservar o alcance. Pela mesma razão, o Cooper SE é o primeiro eléctrico do grupo alemão a oferecer a função one pedal – uma solução que persegue o mesmo objectivo do Nissan Leaf, o primeiro a introduzir esta funcionalidade com o argumento (teórico) de que a travagem regenerativa é mais eficaz.

Mas porque, apesar de estarmos perante um EV, a Mini não quer que os seus clientes abdiquem de uma condução mais desportiva, se assim o entenderem, o Cooper SE propõe quatro modos de condução (Sport, Green, Green + e Mid), com eles fazendo variar a direcção, a resposta ao acelerador e… a autonomia. Mais uma vez, o eléctrico britânico coloca-se exactamente no mesmo patamar dos concorrentes que também estão por chegar. Basta recordar, por exemplo, que os primeiros eléctricos da PSA (DS 3 Crossback E-Tense, Opel Corsa-e e Peugeot e-208) também fazem variar o alcance em função do modo de condução seleccionado, apesar de todos eles reivindicarem autonomias substancialmente superiores às do Mini a bateria.

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Praticamente idêntico ao Mini “normal” de três portas, a frente do Cooper SE distingue-se sobretudo pelos faróis em LED e pela grelha “fechada” com apontamentos a amarelo e o contorno cromado. De lado, sobre a roda traseira do lado direito, o logótipo que distingue esta variante sinaliza o local onde se encontra a tomada de carga (CCS combo 2). Na melhor das hipóteses, a operação tarda 35 minutos para obter 80% da capacidade da bateria, isto se num posto de carregamento a 50 kW. Num ponto de carga a 11 kW é preciso esperar três horas para colocar de nova a bateria nos 100%, ou duas horas se 80% for suficiente para o condutor. Fora isso, à semelhança de outros produtos já no mercado, o Cooper SE pode ser carregado numa tomada doméstica ou numa wallbox.

Por dentro, o destaque vai para o novo painel de instrumentos digital de 5,5 polegadas, onde surgem os dados mais relevantes para este tipo de motorização, sendo que a informação exibida e a iluminação variam de acordo com o modo de condução activado.