O Congresso dos EUA já enviou uma carta a Mark Zuckerberg, presidente executivo e fundador do Facebook, a pedir para parar o desenvolvimento da Libra, a moeda digital que conta com o apoio de empresas como a Farfetch, Visa e Uber. “Tem como propósito ser rival do dólar”, disse o órgão legislativo. Agora, foi a vez da Reserva Federal, o Fed — equivalente dos EUA ao Banco Central Europeu. Jerome Powell, responsável pela entidade que emite o dólar, afirma que “a Libra levanta questões sérias de privacidade, lavagem de dinheiro, proteção dos consumidores e estabilidade financeira”, avançou a CNBC.

O Facebook anunciou a criptomoeda Libra (o nome é assim também em inglês) em junho. A rede social vai utilizar a tecnologia blockchain (que permite efetuar transações virtuais entre pessoas e organizações sem intermediários), comum a estas tecnologias e criou uma subsidiária chamada “Calibra” para o investimento nesta moeda digital. Além disso, a Calibra vai fazer parte da “Rede Libra”, associação que conta com a participação de empresas como a Visa, Vodafone, Uber, Ebay, Spotify e o unicórnio (startup avaliada em mais de mil milhões de dólares) português sediado em Londres, a Farfetch.

Segundo Powell, o novo modelo de transações que está a ser promovido pelo Facebook cria “dúvidas que devem ser estudadas profundamente e tratadas publicamente”. Para o responsável do Fed, é preciso ter cuidado com esta criptomoeda que vai competir com as Bitcoin e não apressar o projeto. O Facebook quer disponibilizar a Libra já em 2020. Powell afirma ainda que sem o consenso dos legisladores e reguladores o projeto da Libra “não pode avançar”.

O Facebook tem recebido várias críticas por querer criar uma nova moeda digital que pode abalar o atual sistema económico. Zuckerberg e outros responsáveis da empresa que detém a rede social com o mesmo nome e outras plataformas como o Instagram e o WhatsApp podem ter falado com legisladores antes de ter anunciado a Libra, mas este projeto tem recebido várias críticas.

A moeda digital do Facebook tem como objetivo facilitar a transação de dinheiro globalmente. À semelhança de outras carteiras digitais, o Facebook quer que quem adira possa “guardar, transferir e gastar a Libra” em transações como comprar um café ou bilhetes de metro. Quando for lançada, as transferências com a libra vão ter “um custo zero ou muito reduzido” para quem tenha um smartphone.

As criptomoedas são unidades de dinheiro digital que utilizam como base a tecnologia blockchain. Esta inovação tem gerado bastante interesse entre os investidores — e assustado a banca. Em 2018, a bitcoin, criptomoeda mais conhecida, bateu recordes, com os primeiros investidores a tornarem-se multimilionários. Depois, desceu a pique — mantendo, mesmo assim, uma valorização de cerca de dois mil euros — para, agora, estar de novo a subir (atualmente, uma bitcoin vale quase 11 mil euros). Contudo, as quedas num espaço de horas de oscilação de valor desta moeda rondam, por vezes, os milhares de euros.