O PSD pediu esta sexta-feira ao Governo explicações sobre os 30 mil milhões de euros transferidos para paraísos fiscais nos últimos três anos e admitiu chamar o ministro das Finanças ao parlamento mesmo em férias parlamentares.

Quando se percebeu que foram transferidos 10 mil milhões de euros foi quase escândalo nacional e ficaram indignados com este valor os partidos que suportam este Governo. Mas quando a verba triplica o silêncio é ensurdecedor”, disse Duarte Pacheco à Lusa.

Na semana passada, a Lusa noticiou que cerca de nove mil milhões de euros foram transferidos para offshore (paraísos fiscais) em 2018, abaixo do valor do ano anterior, destacando-se a Suíça e Hong Kong, segundo dados da Autoridade Tributária e Aduaneira.

O Jornal Económico indica esta sexta-feira que nos últimos três anos o valor que saiu para offshore ascende a 30 mil milhões de euros, o resultado da soma de 2018 (8.950 milhões de euros), 2017 (10.648 milhões de euros) e 2016 (10.400 milhões de euros), o que compara com os 18 mil milhões de euros que tinham saído entre 2013 e 2015. Uma das explicações para o aumento das transferências para paraísos fiscais a partir de 2016, foi a inclusão na Suíça na lista de países abrangidos pela obrigação de reporte de transferências financeiras, tal como o Observador sinalizou neste artigo.

Segundo Duarte Pacheco, o PSD enviou esta sexta-feira um pergunta a pedir explicações ao Governo sobre se sabe os motivos do aumento das transferências (66% se comparado o triénio 2016-2018 face ao 2013-2015), o número de operações e qual o tratamento fiscal destas transferências.

Em 2017 foi muito polémica a informação de que, entre 2011 e 2014, quase 10 mil milhões de euros foram transferidos para paraísos fiscais sem tratamento fiscal, pelo que desde então a Autoridade Tributária ficou obrigada a publicar anualmente as estatísticas sobre essas transferências. Essa publicação acontece três meses depois de os bancos lhe remeterem a informação, o que acontece até ao final de março.