O militar de Abril Mário Tomé será o mandatário do BE nas eleições legislativas, disse à Lusa fonte do partido, que salientou o seu percurso nas “lutas da esquerda e com uma posição antimilitarista”.

Em antecipação à agência Lusa, fonte oficial do BE revelou a escolha do ex-líder da UDP como mandatário nacional nas eleições de outubro, considerando que o perfil do militar de Abril traduz o compromisso com a defesa da paz e direitos humanos.

Mário Tomé, antigo deputado, já tinha sido mandatário bloquista às eleições europeias de 2014.

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“A escolha de um militar de Abril, comprometido ao longo das últimas décadas com as lutas da esquerda e com uma posição antimilitarista, traduz o compromisso do Bloco com a defesa da paz e dos direitos humanos”, referiu a fonte.

Segundo o partido, “ao longo das últimas décadas, e os últimos anos não foram exceção, Portugal manteve um alinhamento externo marcado pela subserviência aos princípios da NATO e do eixo transatlântico”.

“O aumento de despesa com a defesa choca abertamente com a ausência de recursos para investir em serviços públicos essenciais”, critica o partido.

Num contexto em que “o extremismo de Trump representa a ameaça crescente de uma escalada belicista”, o BE garante assumir “um compromisso claro” com a defesa da paz e dos direitos humanos, argumentando que tal fica também provado com a escolha de Mário Tomé, antigo deputado.

Nas últimas eleições à Assembleia da República, em 2015, o BE convidou o então coordenador da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa, António Chora, para ser mandatário nacional do partido.

António Chora explicou então, aquando do anúncio do seu nome no Fórum Socialismo 2015, a rentrée bloquista, que aceitou o convite porque no BE “se discute política e alternativas de esquerda realizáveis e coerentes”, “numa altura em que o ilusionismo político é a arma do radicalismo da direita que nos governa”.

O BE já escolheu, na reunião da Mesa Nacional do passado fim de semana, os cabeça-de-lista nos vários círculos eleitorais, tendo aprovado também o programa nacional.

Pelo Porto e por Lisboa, o partido decidiu repetir a aposta das últimas eleições, apresentando a coordenadora Catarina Martins e a deputada Mariana Mortágua, respetivamente.

Voltam também a ocupar o primeiro lugar na lista Joana Mortágua pelo círculo de Setúbal, José Manuel Pureza por Coimbra, João Vasconcelos por Faro e Mariana Aiveca por Beja (em 2015 não foi eleita).

Nas últimas eleições legislativas, em 2015, o BE conseguiu a sua maior bancada parlamentar de sempre e, com 10,19% elegeu 19 deputados, tendo conseguido cinco mandatos nos círculos de Lisboa e Porto, dois em Setúbal e um por Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Faro e Madeira.