Martinhal Sagres

Quinta do Martinhal, Apartado 54. 218 507 788. Estadia a partir de 185€.

Não é exagero dizer que no Martinhal Sagres tudo está pensado para quem viaja com miúdos. No resort há mais de 150 casas equipadas com cozinha e dentro de cada uma delas aquilo que se pode chamar um enxoval para os mais pequenos, com louças e cabides de criança, caixas para guardar brinquedos, um banco para chegar ao lavatório (e não haver desculpas para não lavar os dentes), proteção para as escadas e até uma televisão que vai automaticamente para os canais de desenhos animados. Mas isto ainda diz pouco da filosofia kids friendly. Porque fora do quarto há não um mas cinco Kids Club divididos por idades (dos bebés de 6 meses aos adolescentes de 17 anos), cinco piscinas – duas delas aquecidas –, insufláveis e trampolins junto ao minimercado (onde as fraldas, o leite em pó, as papas e os livros infantis ocupam largas prateleiras), bicicletas para alugar e outras atividades de praia no centro náutico, lavandaria para crianças, tratamentos de spa que podem ser feitos em família, três restaurantes com zona de crianças que incluem uma ementa para bebés a partir dos 6 meses – adeus saga de viajar com as primeiras sopas – e até um kids bar com uma carrinha pão de forma onde os miúdos se podem sentar e pedir um “strawberry sparkling lemonade” ao balcão (um dos muitos cocktails sem álcool).

Podia ser a Disneylândia da hotelaria, mas é antes um resort de luxo, com uma localização privilegiada sobre a praia do Martinhal, junto ao cabo de Sagres, e várias peças de arte e mobiliário com design.

Para além de cozinha equipada, as villas têm sempre proteção nas escadas e são a melhor opção para famílias. © Divulgação

Craveiral Farmhouse

Estrada Municipal 501, 7630-658, São Teotónio. 919 300 317. Estadia a partir de 140€

Qual América, o Craveiral é que é a terra das oportunidades. “Se olharmos para as pessoas envolvidas aqui, todas tiveram vidas anteriores a esta.” A responsável pela cozinha era designer gráfica, o artista plástico exposto nos quartos era arquiteto e o autor das palavras acima, mentor de todo o projeto, advogado com escritório próprio em Lisboa.

Pedro Franca Pinto, de 40 anos, passava férias todos os verões na costa alentejana e há muito tempo que sonhava abrir um turismo de natureza, um legado para deixar aos filhos. “Como no escritório lidava com maus exemplos, isto era a minha reserva de pureza”, diz, referindo-se simultaneamente ao trabalho de assessoria jurídica nos setores hoteleiro e imobiliário e ao Craveiral, a quinta de nove hectares integrada na Costa Vicentina que abriu as portas no verão do ano passado.

Toda a quinta recria a ideia de monte alentejano. © Martin Kaufmann

Quem passeia pelos passadiços de madeira e fica numa das 38 casas distribuídas pelos edifícios baixos e compridos, ao estilo monte alentejano, não imagina que foram oito anos para pôr o projeto de pé, entre pedidos de licenciamento, obras, concursos ao QREN chumbados, “tudo sozinho, com as poupanças de advogado”, até chegar o apoio financeiro do Portugal 2020 e a sociedade com João de Azevedo Canilho e Luís Miguel Capinha, donos da guesthouse Casa Amora (e outros dois exemplos de vidas anteriores, Luís como designer gráfico e João da área de economia).

A propriedade chama-se Craveiral por causa dos cravos que teve em tempos. “Já não há, mas vamos plantar cravinas, que são da mesma família e aguentam mais o clima daqui”, diz Pedro. Todo o conceito passa por respeitar a natureza e “viver de forma autêntica e simples, mas com o conforto da vida moderna”, num projeto sustentável e de quem sabe que o verdadeiro luxo, nos tempos que correm, são o espaço, a calma e o silêncio.

Por isso mesmo, a construção foi pensada para ter o menor impacto possível (incluindo nas telhas, feitas com uma mistura de cereais queimados, para imitarem as antigas), a água é reutilizada, há um carregador de carros elétricos da Tesla e as s são biológicas ou não utilizam plástico. Tudo isto enquadrado numa decoração acolhedora e à base de materiais naturais como a madeira e a cortiça, de duas marcas portuguesas carregadas de design, a DAM e a WeWood.

A decoração aposta em materiais naturais e marcas portuguesas. © Martin Kaufmann

Para “fugir ao frenesim e ao show off do dia a dia”, há livros à disposição nas casas, numa prateleira engenhosa que serve ao mesmo tempo de calha para uma manta alentejana tapar a televisão. E há, acima de tudo, uma propriedade pensada para viver o exterior em família, com burros (o Cravo, a Ferradura e o Cravinho), porcos, cabras, um galinheiro com galinhas e patos, passeios a cavalo, trator para tratar da horta, um pomar com mais de 10 espécies de árvores diferentes, gatos e cães simpáticos a lembrar que o espaço é pet friendly (o Pimenta, o Malagueta e a Pica) e até um Centro de Interpretação da Natureza com salas disponíveis para retiros de ioga ou de outro tipo (em outubro, por exemplo, é a vez de um retiro criativo com a Oficina 166 e Anna Westerlund).

Numa quinta pensada para crescer com o tempo, o conceito do restaurante só podia ser “farm to table”, com produtos locais, tanto quanto possível cultivados na própria horta. Para além da raiz alentejana tenta-se “trazer os legumes com protagonismo, sem ser uma coisa aborrecida”, diz Maria João Leite, responsável pela cozinha e pelos pestos de tomate seco e de coentros, as saladas coloridas, os brócolos crocantes que fazem as vezes de croutons na sopa ou ainda a granola, as bowls e as panquecas do generoso pequeno-almoço. Tal como no resto da propriedade, também no restaurante o ambiente é informal, com uma enorme lareira ao centro, quadros pousados no chão ou nos aparadores e arranjos de flores secas em todas as mesas.

Mais informais ainda são as pizzas feitas no forno de lenha junto à piscina, de quarta a domingo. Informais mas com um propósito social: desde 15 junho, e numa parceria com a Associação VilacomVida e a pizzaria In Bocca Al Lupo, empregam e ajudam pessoas com défice cognitivo.

O forno a lenha de onde saem as pizzas biológicas está estrategicamente na zona junto à piscina. © Martin Kaufmann

Como as casas estão equipadas com cozinha, é ainda possível encomendar os ingredientes para fazer uma salada depois da praia – a Zambujeira do Mar fica a 15 minutos, 25 se for por estradas de terra batida, nos jipes que podem ser alugados pelos hóspedes – ou até mesmo pedir para o jantar ser servido dentro de portas.

Tal como as bicicletas grátis espalhadas pela propriedade, as piscinas também acabam por estar divididas por idades. Às duas principais, uma exterior e outra interior aquecida, soma-se uma reservada ao núcleo de casas para adultos, em que só resta suspirar: “ah, o tempo das escapadinhas românticas…”

A piscina interior não só é aquecida como ainda tem lareira. © Martin Kaufmann

You and the Sea

Rua das Silvas, Ericeira. 261 243 370. Estadia a partir de 95€

Não é uma ilha, mas tem mar por todos os lados: na vista, na decoração, na carta do restaurante Jangada e até na obra de Bordallo II, um enorme caranguejo feito de sucata – imagem de marca do artista – junto às traseiras do hotel (“para respirar mar mesmo nas paredes viradas para Este”).

O You and the Sea abriu no verão e é uma espécie de irmão mais novo do 1908 Lisboa Hotel, mas aquele irmão sempre de férias e de chinelos, ou não ficasse na Ericeira, mesmo em frente à praia do Sul. Os donos são os mesmos (o casal Marta Faustino e Daniel Matias), a carta do restaurante foi desenvolvida pela mesma dupla do Infame, mas em vez de um prédio centenário, prémio Valmor, o hotel fica no que poderia ter sido um condomínio de luxo, com 35 apartamentos com tipologias que vão do estúdio ao T5, áreas generosas, cozinha totalmente equipada – a versão do pequeno-almoço na cama para os pais que viajam com filhos, sobretudo se ainda estiverem a introduzir alimentos ou na saga de os fazer acreditar que qualquer comida é deliciosa sem sal – e um sem-fim de pormenores e brincadeiras de palavras que sublinham o ambiente descontraído, desde o sinal para pendurar na porta onde se lê “fomos para a praia” (ou então “ficámos na ronha”), à cesta de palha pendurada à entrada, passando pelos chinelos “sea you, sea me” e os roupões com a frase “shell we dance” nas costas (as crianças têm direito à sua própria versão, “small fish”).

Os apartamentos têm áreas generosas nalguns casos vista frontal de mar. © Divulgação

O peixe, claro está, não falta, nem o surf. Há aulas para interessados nas mundialmente famosas ondas da Ericeira e também um spa com produtos Voya – com direito a uma bonita ilustração de Mariana Miserável à entrada – para quem preferir atividades menos radicais.

No centro da ilha que não é uma ilha fica o restaurante, uma espécie de coração do hotel, estrategicamente colocado junto à piscina interior, com vista para o mar e aberto a não hóspedes. “A carta é grande porque estamos abertos todo o dia e o restaurante foi pensado para famílias”, resume o chef residente, André Rebelo. “Tanto temos o petisco depois da praia como o almoço leve ou tardio, e os pais podem vir comer um arroz de marisco enquanto as crianças comem um hambúrguer.” Entre os mais novos (e não só) as pizzas também são famosas, feitas ali mesmo na sala, no forno de lenha, e com massa caseira de fermentação lenta. O peixe é da costa, os produtos locais, e os miúdos têm direito a um individual com passatempos e lápis de cor assim que se sentam.

O restaurante Jangada está aberto também a não hóspedes. © Divulgação

Igualmente a pensar nos mais pequenos, junto ao ginásio foi criada uma sala de brinquedos com direito a ecrã grande. É uma sala interior, mas, como não podia deixar de ser, dela também se vê o mar, ou não tivessem as paredes sido pintadas como se estivéssemos no fundo do oceano.

Pousada da Serra da Estrela

Estrada Nacional 339, Penhas da Saúde, Covilhã. 210 407 660. Estadia a partir de 99€.

Começa na fachada cheia de janelas e torres pontiagudas, instala-se quando chegamos ao elevador antigo e espaçoso, com direito a banquinho de veludo. A sensação de que estamos num filme de Wes Anderson, no alto de uma montanha, à espera de ver cair flocos de neve.

A pousada tem uma vista privilegiada sobre a Covilhã. © Divulgação

O The Grand Serra da Estrela Hotel – perdão, a Pousada da Serra da Estrela – fica num edifício com tanto potencial cinematográfico como história. Projetado pelo arquiteto Cottinelli Telmo nos anos 20, antes de receber hóspedes funcionou como Sanatório dos Ferroviários. “Foi mandado construir pelos Caminhos de Ferro para tratamento da tuberculose dos seus funcionários, visto poderem beneficiar da localização em sítio calmo e com ar puro”, lê-se numa brochura entregue na receção. Da CP passou para as mãos do Estado, até fechar em junho de 1969, numa altura em que as inovações da medicina, nomeadamente “o recurso à quimioterapia antituberculose”, levaram ao encerramento dos sanatórios afastados dos centros urbanos. Depois de servir de residência a 700 retornados no pós-25 de Abril, já no século xxi passou para as mãos do grupo Pestana (que detém 33 das pousadas de Portugal) e em 2011 deu-se início à recuperação do edifício.

O trabalho de requalificação ficou a cargo do arquiteto Eduardo Souto de Moura, por isso reservar um dos 92 quartos é também poder apreciar o trabalho de um Prémio Pritzker. A traça original foi mantida, o que inclui os terraços utilizados na época para respirar o ar puro e apreciar a paisagem, os azulejos antigos e a porta em ferro do ascensor, um belo exemplar Art Déco.

A piscina interior inclui um circuito de hidromassagem. © Divulgação

Localizada a 1200 metros de altitude, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, a pousada fica estrategicamente colocada no caminho de acesso à Torre, o ponto mais alto de Portugal continental, onde estão os teleféricos, as pistas de esqui e de snowboard, e onde é mais provável encontrar neve no inverno. Dentro do hotel também não falta animação: além da piscina interior aquecida com hidromassagem (e da exterior, para os meses de verão), há spa, sauna, banho turco e um espaço de criança com duas salas recheadas de brinquedos que podem ser usadas livremente pelos hóspedes. Apesar da aparência solene, o restaurante – inspirado na gastronomia das Beiras, onde não falta o queijo da Serra, sempre presente no buffet de sobremesas – também está preparado para famílias e tem um menu de criança relativamente extenso.

Não por acaso, este ano a pousada foi eleita como um dos 25 melhores hotéis para famílias em Portugal nos Prémios Travellers’ Choice do TripAdvisor. Para famílias numerosas, há quartos comunicantes que acomodam até oito pessoas. E até os cães são bem-vindos, já que o hotel é dog friendly.

Pestana Blue Alvor

Estadia a partir de 185€ com tudo incluído. Grátis para crianças até aos 12 anos.

É apresentado como “o primeiro resort de cinco estrelas all inclusive do país e abriu as portas a 10 de maio. No Blue Alvor – mais um reforço do império Pestana nesta zona do Algarve – reina o sistema da pulseirinha, de tal forma que a dita funciona também como chave para entrar no quarto.

All inclusive” significa que está tudo incluído: dormida, comida, animação (numa parceria com o Chapitô) e até transporte para a praia da Torralta, feito num comboiozinho a partir da receção. As crianças até aos 12 anos não pagam, se ficarem no quarto dos pais, e esse é um dos argumentos que posiciona o hotel no segmento das famílias. Os outros são as seis piscinas – duas só para adultos, em nome de alguma paz – e o Kids Club com salas para várias idades, matraquilhos, casa de banho à medida (olá, mini-lavatórios e mini-sanitas), piscina de bolas, triciclos, insufláveis, minigolfe, videojogos e até uma baby copa e um buffet para crianças com iogurtes, papas, gelatinas, cereais, fruta e bolachas.

Um dos três restaurantes do resort. © Divulgação

No campeonato da comida, não são só os bebés que não passam fome. No resort há três restaurantes: um maior, buffet, e dois temáticos, não incluídos nas estadias convencionais (por oposição às mais longas, que têm direito a vouchers para experimentar a cozinha italiana e os grelhados). No restaurante principal o buffet é generoso e com bebidas à discrição: inclui saladas, leitão ou marisco, pratos quentes de carne e peixe, live cooking de grelhados e massas, fruta, sobremesas e até uma pequena geladaria self service que, como não podia deixar de ser, faz as delícias dos miúdos.

A piscina para os adultos fica mais separada das outras e é a única com espreguiçadeiras dentro de água. Mas pais, boas notícias: o Kids Club tem atividades e monitores para crianças a partir dos quatro anos. © Divulgação

Nau Lago Montargil & Villas

Estrada Nacional 2, 7425-144, Montargil. 242 241 250. Estadia a partir de 68€

Mais de 1600 hectares inundados de água num Alentejo que facilmente chega aos 40 graus no verão. Não eram precisas tantas palmeiras para perceber que Montargil é um oásis. Árvores à parte, o sítio ideal para explorar a região é o Lago Montargil & Villas, um dos 10 hotéis do grupo NAU, localizado mesmo em cima da barragem e junto à marina e clube náutico de onde saem passeios de barco, motas de água, gaivotas e caiaques.

O hotel fica mesmo junto ao lago. © Divulgação

A melhor altura para agarrar na família e conhecer o hotel é mesmo no verão (de julho a setembro), quando todos os serviços estão a funcionar, dos dois restaurantes (um à la carte, outro buffet), aos três bares, passando pelo Kids Club com atividades para miúdos dos três aos 12 anos (da hora do conto à hora do videojogo) e as seis piscinas exteriores, duas delas para crianças.

Tal como a bacia hidrográfica que se vê da janela, é tudo em grande. Para além dos 105 quartos espaçosos, espalhados pelos vários edifícios do hotel, através de um túnel passa-se para o outro lado da estrada, mesmo em cima do lago, onde ficam mais 11 villas completamente equipadas e com direito a piscina privativa. Também desse lado fica o ex-libris de toda a unidade: a piscina infinita do Clube Náutico, com 25 metros e que é uma autêntica varanda sobre a enorme massa de água. Se é verdade que os mergulhos sabem melhor de estômago leve, também é verdade que os risottos do restaurante Náutico, mesmo ao lado, valem cada minuto a mais na espreguiçadeira, à espera da digestão.

A piscina do Clube Náutico, onde também é possível reservar atividades aquáticas. © Divulgação

Feito a partir de um artigo publicado na revista Observador Lifestyle nº 3 (março de 2019).