Gana, Camarões, Egito. Não é comum haver seleções capazes de revalidar o título na Taça das Nações Africanas e desde os oitavos da edição deste ano que se sabia que tal não voltaria a acontecer, depois da eliminação dos Camarões frente à Nigéria. Podia, isso sim, haver um vencedor semelhante às últimas cinco fases finais, mas a derrota dos nigerianos nas meias acabou por prolongar aquilo que se começa a tornar uma regra: desde 2010, todos os vencedores da prova são diferentes. E em 2019, no Egito, não será diferente com o apuramento de Senegal e Argélia para a final que se realiza na próxima sexta-feira.

O Senegal foi a primeira equipa a carimbar presença na partida decisiva com um triunfo pela margem mínima frente à Tunísia num encontro atípico, onde os dois conjuntos desperdiçaram um penálti cada nos últimos 15 minutos do tempo regulamentar (primeiro foi Sassi para a Tunísia, depois foi Saivet para o Senegal) antes de tudo se decidir no prolongamento com um autogolo de Dylan Bronn ainda na primeira parte (100′) que acabou por evitar o desempate por grandes penalidades.

Nascido em França, filho de pai alemão e mãe tunisina, o defesa central tinha marcado mas na baliza certa na fase de grupos do Campeonato do Mundo à Bélgica (2-5) começou no Cannes, onde se estreou como sénior e esteve três anos, antes de assinar em 2016 pelo Niort. Apenas uma temporada depois, o internacional tunisino rumou à Bélgica, assinando pelo Gent. Esta noite acabou por ser o vilão numa partida equilibrada, bem disputada e onde os comandados de Alliou Cissé foram mais felizes.

No segundo encontro da noite, a emoção durou até ao período de descontos do tempo regulamentar, altura em que Mahrez vestiu a pele de herói da Argélia para derrotar a Nigéria por 2-1 de livre direto (90+5′). Antes, Troost-Ekong tinha inaugurado também na própria baliza o resultado para os argelinos (40′), antes de Ighalo empatar de grande penalidade (72′).

Aos 28 anos, o ala esquerdino, que se sagrou campeão inglês no Manchester City depois de ter sido uma das peças principais do verdadeiro conto de fadas do Leicester, voltou a ser mais uma vez decisivo num encontro onde Chidozie (FC Porto) foi opção inicial dos nigerianos e Brahimi (FC Porto), Halliche (Moreirense) e Slimani (ex-Sporting) não saíram do banco.