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Banco de Portugal

Ajudas ao BPI e ao BCP. A Grécia foi um dos grandes devedores que gerou perdas de 766 milhões

A Grécia foi um dos grandes devedores que contribuiu para as ajudas públicas ao BPI e ao BCP. As perdas com a reestruturação da dívida grega em 2012 atingiram 766 milhões de euros.

NUNO VEIGA/LUSA

Já se sabia que lista não ia revelar a identidade dos grandes devedores, mas acabou por se saber pelo menos um deles. E por via de um esclarecimento do BPI. O devedor identificado no relatório do Banco de Portugal com o número 112 foi responsável por perdas de 408 milhões de euros no BPI em 2012, sendo, aliás, a maior perda em dívida estimada no ano em causa que fundamentou a necessidade da ajuda do Estado.

O banco liderado por Pablo Forero foi rápido a apontar o responsável por este “buraco”. A dívida grega, que foi reestruturada naquele ano com imposição de perdas pesadas para os investidores. Segundo o BPI, este devedor explica cerca de 80% das perdas reportadas pelo BPI em 2012 que atingiram os 508 milhões de euros. Encontramos o mesmo devedor no BCP no mesmo ano. Aqui a perda reportada em 2012 era de 358 milhões de euros.

Juntando os dois valores, a Grécia foi responsável por perdas de 766 milhões de euros nos dois bancos privados portugueses, e, de acordo com o documento revelado pelo Banco de Portugal, em cumprimento de uma lei muito polémica do Parlamento, foi um dos devedores que obrigou BCP e BPI a recorrerem a uma ajuda pública em 2012. Os dois bancos tinham em 2012, à data para a qual foram identificadas as perdas com grandes devedores, uma exposição de 957 milhões de euros e o perdão de dívida imposto aos devedores internacionais no quadro do segundo resgate grego teve impacto nas ajudas públicas que os dois bancos portugueses receberam e que, entretanto, já pagaram.

Esta conclusão vale mais para o BPI. No caso BCP, a Grécia aparece como o maior devedor em incumprimento (na altura o banco português controlava uma instituição financeira grega), mas o banco acumula outras perdas mais significativas nas participações em instrumento de capital e que correspondem a menos-valias registadas na venda de operações em mercados internacionais, como a Grécia e a Roménia.

O BCP e o BPI receberam ajuda pública em 2012, 3000 milhões de euros e 1500 milhões de euros, respetivamente. Essas ajudas foram financiadas pelo empréstimo da troika, através da instrumentos de dívida convertíveis em capital, os famosos CoCos. Mas estes bancos foram os únicos desta lista que devolveram totalmente e com juros a ajuda pública que receberam, conforme aliás destaca o BPI em comunicado onde sublinha o benefício para o Estado e para os contribuintes com o pagamento de juros de 167 milhões de euros.

O banco recorda ainda que as perdas que sofreu com a dívida grega foram assumidas nas contas de 2012, tendo o banco vendido todos os títulos que tinha em mercado. Segundo os dados do Banco de Portugal, o BPI teve um encaixe de 39 milhões de euros para uma exposição de 480 milhões de euros, para o qual não tinha qualquer garantia como é regra nos investimentos em obrigações (títulos de dívida) onde o investidor fica exposto ao risco de incumprimento da contraparte.

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